Tribuna do Leitor

Favela: golpe de tijolo e cal


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Desemprego, fome, miséria, corrupção. Estes ingredientes parecem nos alimentar de uma realidade indigesta, uma vez que fotos chocantes em jornais, notícias sobre crimes brutais e atos sem qualquer explicação são tão comuns em nosso cotidiano quem nem chegam mais a chocar, causando-nos apenas uma “revolta contida”, levando-nos a uma solução rápida e eficaz para conter tais problemas.

Contudo, a idéia de separação de duas identidades, a civilizada e a marginalizada, que parecia ter sido usada apenas na Alemanha através do Muro de Berlim, vem chegando ao nosso País, no morro carioca, como símbolo de rendição. Os governantes desistem de providências que exigem seriedade de propósitos e continuidade administrativa e optam por resolver, através de tijolo e cal, uma questão séria, envolver o rumo da vida de muitos que vivem à margem da sociedade, sem oportunidades e garantia de bem-estar social.

As favelas são vistas como um planeta distante ou até mesmo inexistente, mas, segundo Proust, “os verdadeiros paraísos são os paraísos perdidos”, ou seja, há muitas famílias, com muitas histórias, residentes nesses redutos da marginalização que têm muito a oferecer para o mundo. Desde que, evidentemente, tenham oportunidades e melhores condições para miscigenarem-se em nossa cultura, derrubando muros de desigualdade e criando laços de igualdade.

Feliz daquele que sabe conviver com as diferenças, com as fraquezas do próximo. Isso, talvez , seja o ingrediente principal para convivermos melhor em sociedade e para pararmos com essas banalidades, pois esse método de descolonização dos habitantes dessa cidade parece um controle simbolicamente, mas, na verdade, é uma má solução para um problema real.

Allana Nigro Cardia dos Santos

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