No tempo que eu tinha uma oficina mecânica, num feriado eu convidei meus empregados Américo, Amélio e o Cidão para ir à beira do rio fazer uma fritada de lambaris, e o lugar escolhido foi no ribeirão da Água Parada. Foram feitos todos os preparos dos apetrechos para fazer a dita cuja, panela, óleo, sal, limão, fubá, um botijão de gás de 2 quilos e um fogareiro. Enfim, fomos bem preparados para a fritada, levamos pão e o principal, a “marvada” 51. Foram só três litros para começar.
E às 9h da manhã, nós todos, animados, partimos no meu Volks rumo ao ribeirão. Chegamos lá às 10h30, mas como tinha chovido dois dias antes, a água do ribeirão estava meio turva, mas já que estávamos lá, vamos pescar.
E cada um saiu com sua traia à procura de um poço para pescar. Eu fiquei por perto do carro afim de arrumar um local para ajeitar as traias para fazer a fritada. Com tudo arrumado, fui pescar também e as horas foram passando. Já era quase meio-dia e lá vai “mé” para ver se vinha a sorte de pegar alguns lambaris. Eu já estava meio “grogue”, e peixe, nada.
Vamos esperar os companheiros para ver se eles estão com mais sorte que eu, e logo chega o Amélio com três mandis chorão. Pensei comigo mesmo: “está ruim, vamos tomar mais um ‘mé’”. Não demorou muito, chega o Cidão com quatro lambaris e a panela já estava à espera dos peixes.
Vamos esperar o Américo aparecer para ver o que ele pescou, e lá vem ele! Com o dedo atolado, já estávamos com o pé redondo de tanto tomar “mé” e a fome foi apertando. Começamos a comer o pão e resolvemos voltar para casa para pegar um almoço - se ainda tivesse -, porque lá só tinha a “51” e pão.
Chegamos a Bauru às 4h da tarde, todos nós com o pé redondo devido a “marvada” 51, e a fritada de lambaris ficou para uma próxima aventura com mais sorte do que foi esta malfadada pescaria. Os amigos Américo e Amélio já partiram para o outro lado, o que faz parte da nossa vida...
Florindo Martins é pescador e contador de histórias.