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Cerca de 60% das causas de cegueira infantil são evitáveis

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 3 min

Estudos divulgados pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) apontaram que 43%, das 1,4 milhão de crianças cegas do mundo perderam a visão por causas que poderiam ser evitadas. A realização de exames simples e o acompanhamento de um oftalmologista poderiam evitar problemas decorrentes de tumores, doenças infecciosas e retinopatia que podem levar a cegueira. A medicina já permite a prevenção ou o tratamento efetivo de pelo menos 60% das doenças que cegam crianças.

O oftalmologista Marcelo Creppe reconhece que a porcentagem de cegueira por causa evitáveis é expressiva no mundo, mas acredita que em grandes centros, como Rio de Janeiro e São Paulo e em cidades mais desenvolvidas, como Bauru, a cegueira por estes motivos não é comum.

“Em grandes cidades a incidência disso é baixa. Elas são evitáveis com atenção primária de saúde. No Estado de São Paulo, a gente tem vantagens neste sentido. Mas quando vemos a situação do Norte do Nordeste as coisas complicam um pouco porque têm uma estrutura de saúde pior do que nossa”, explica.

De acordo com as pesquisas do CBO, há menor prevalência da cegueira infantil em países desenvolvidos (estimada entre 0,2 a 0,3 por 1.000 crianças). Nos países em desenvolvimento a prevalência é de 1,0 a 1,5 cegos por 1.000 crianças.

No Brasil, que faz parte do segundo grupo de países, já há alguns avanços em relação à prevenção da cegueira infantil. Nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, leis estaduais obrigam os médico a realizarem do “teste do olhinho”. Trata-se de um exame simples e indolor realizado antes do recém-nascido deixar a maternidade pelo qual o médico pode diagnosticar preocemente se o bebê tem algum problema oftalmológico como tumores e toxocaríase (doença parasitária que pode levar a cegueira).

Em todas as etapas da infância, a criança está sujeita ao aparecimento de problemas oftalmológicos, por isso, é fundamental a atenção dos pais aos menores sinais de irregularidades.

Creppe ressalta problemas como estrabismo (popularmente chamado de vesguice), diferença de graus de problemas refrativos (miopia, astigmatismo e hipermetropia) entre os dois olhos, traumas (acidentes como batidas, queimaduras), glaucoma (aumento da pressão intra-ocular gerando danos no nervo ótico) e retinopatia (doença degenerativa da retina).

“Os pais devem ficar atentos e ao notarem qualquer anormalidade devem levar ao oftalmologista e nada de medicação por conta própria. Os próprios pediatras têm treinamento para perceber os problemas e encaminhar o paciente a um oftalmologista. Na idade escolar, os professores também indicam a procura do médico quando notam dificuldades do aluno”, diz.

Ajuda municipal

A Secretaria Municipal de Educação mantém um convênio com a Secretaria Municipal de Saúde que viabiliza o encaminhamento de alunos que apresentem problemas de natureza oftalmológica a especialistas da área. As consultas acontecem após uma pré-analise feita pelos professores ao perceberem dificuldades de aprendizado do aluno.

O atendimento é disponibilizado graças a uma portaria municipal do ano passado que disponibiliza 10% do total de vagas do serviço de referência municipal em oftalmologia, o que corresponde a quantidade entre oito e 12 consultas em média por mês.

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