Brasília - Dados divulgados ontem pelo Ministério da Educação (MEC) mostram que aumentou o número de instituições de ensino superior reprovadas no País - que obtiveram notas 1 e 2 em uma escala que vai até 5. Em 2008, 36% das escolas (universidades, faculdades e centros universitários) estavam inadequadas (588). Eram 31% no ano anterior (454).
Com isso, há atualmente 737 mil universitários estudando em estabelecimentos reprovados - 25% a mais que na avaliação do ano anterior (levantamento feito com base no último censo universitário). O número é superior a todos os universitários do Rio de Janeiro (490) e Santa Catarina (202 mil) somados. O País tem 4,8 milhões de matriculados.
A avaliação do MEC é feita com base num indicador chamado Índice Geral de Cursos (IGC), que considera fatores como desempenho dos universitários em uma prova (Enade), qualificação dos professores (número de doutores) e a nota da pós-graduação, entre outros.
Divulgado pela segunda vez, esse índice é utilizado pelo MEC para decidir quais instituições devem sofrer maior fiscalização e restrições para a abertura de novas vagas.
Federais se destacam
A análise dos dados permite importantes conclusões: a) os piores desempenhos são das instituições privadas (39% receberam notas 1 e 2) e municipais (51%); b) as federais se destacam (52% levaram 4 ou 5). USP e Unicamp não participaram da avaliação por discordarem da metodologia - são as únicas ausentes.
As sete maiores notas foram de faculdades pequenas (até três cursos). Segundo pesquisadores, elas têm a vantagem de poder focar investimentos em poucos estudantes. Por outro lado, os alunos perdem o contato com outras áreas, como ocorre nas universidades.
A escola de economia e finanças da FGV do Rio foi a faculdade mais bem avaliada do País. Entre as universidades, a Unifesp obteve a melhor nota.
O MEC diz não ser adequado comparar instituições com tamanhos tão diferentes. Por isso, divulga as notas em três blocos (universidades, centros universitários e faculdades).
Para o professor da Unesp João Cardoso Palma Filho, membro do Conselho Estadual de Educação, o MEC deveria controlar a abertura de vagas, para evitar que os estudantes entrem em instituições ruins.
“O aluno é enganado. Faz um curso de baixa qualidade e, geralmente, em cursos que já há saturação no mercado de trabalho”, disse Palma. “Só deveriam ser autorizadas vagas em instituições que comprovassem qualidade de corpo docente e infraestrutura. E em áreas com demanda no mercado.”
Já o presidente do sindicato das universidades particulares de SP, Hermes Figueiredo, contesta o indicador. “Dá muito peso à prova. O aluno pode chutar e responder qualquer coisa no questionário socioeconômico (dois fatores considerados).”