Política

PM acha maconha em ônibus do IPA

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Após receber denúncia de que detentos do Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru, que têm permissão para sair do presídio para trabalhar, ontem iriam retornar com droga, a Polícia Militar (PM) fez, no final do dia, um pente-fino num ônibus que transportava os reeducandos. Na revista, os policiais encontraram uma porção de maconha de 300 gramas embaixo de uma das poltronas do coletiva, que estava com cerca de 30 presos.

Cerca de 400 detentos do IPA, presídio do regime semi-aberto, têm autorização para sair da unidade para trabalhar. De ônibus, deixam o presídio pela manhã e retornam no final da tarde, quando devem ser revistados por funcionários do IPA. Assim que são liberados pela revista, passam a ter contato com os demais detentos. O presídio tem cerca de 1.100 reeducandos e quem não trabalha fora deve desenvolver atividade laborativa internamente.

A droga foi apreendida e a PM identificou o reeducando que costuma sentar-se no banco onde o entorpecente foi localizado, conta o capitão Flávio Kitazume, comandante da Força Tática da PM. O grupo de reeducandos do ônibus onde a maconha foi achada trabalha em empresas do Distrito Industrial 2 de Bauru, às margens da rodovia Bauru-Jaú. Tanto o reeducando quanto a droga foram encaminhados ao Plantão Policial. A droga foi apreendida, mas como não havia como comprovar a propriedade, o reeducando seria devolvido ao presídio.

A polícia ainda não sabe onde o reeducando havia conseguido a droga que, supostamente, era para consumo dentro do IPA. Não se sabe como a droga entraria no presídio, se escondida sob as roupas do preso ou se ele pretendia jogá-la para a área interna do IPA, por sobre o alambrado, para resgatá-la posteriormente. Considerando que não são raras as apreensões de droga abandonada ao lado da cerca do presídio, esta é uma tática bastante usada.

Também são freqüentes os casos de detentos que se evadem do IPA. Trabalhando na área externa do presídio, não retornam no final do dia. No último sábado, quatro reeducandos deixaram a unidade prisional. Os funcionários, avisados do desaparecimento de detentos, iniciaram as buscas. Entre eles estava o subdiretor de segurança e disciplina Wagner Roberto Valentim da Silva que, apesar de estar de folga, saiu para procurar os reeducandos levando consigo seu cunhado, Lorenil Batista da Silva, 42 anos.

Nas imediações, o grupo encontrou um dos fugitivos e o algemou à grade de uma empresa do Distrito Industrial 3, deixando-o sob a guarda de Lorenil. Mas neste meio tempo, segundo o vigia de uma empresa do local testemunhou, surgiu um Uno escuro. Do veículo desceu uma pessoa que passou a espancar Lorenil com pedaço de pau e resgatou o detento que estava algemado à grade.

Quando os agentes penitenciários chegaram, Lorenil já estava morto. O assassinato está sendo apurado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG), mas ainda não há pista do autor do crime. O detento, que fugiu com a algema na mão, bem como os outros três, - Erivelton Nunes Dias, 30 anos, Mirobaldo Cavalcante de Paula, 32 anos, Carlos Cardoso, 27 anos, e Robson Aparecido dos Santos, 25 anos - continuam foragidos. A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) abriu sindicância para tentar esclarecer as circunstância da fuga.

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