Cabul - Um ataque da Otan matou ao menos 90 pessoas ontem no norte do Afeganistão, dezenas das quais civis, de acordo com autoridades locais e a própria aliança militar ocidental. O episódio reaviva a recorrente polêmica entre o governo afegão e EUA sobre mortes de não combatentes em operações no país.
Requisitado pelo comando alemão na Isaf (força internacional liderada pela Otan no Afeganistão), o ataque na Província de Kunduz visou dois caminhões-tanque roubados na noite de ontem por insurgentes do Taleban.
Segundo as versões de um porta-voz do grupo radical islâmico e do governo local, o bombardeio, por um jato americano, foi realizado quando civis circundavam os caminhões para ficar com o combustível.
Os veículos não conseguiram passar por um rio e foram deixados pelos insurgentes, que teriam então avisado os locais da presença do combustível.
Inicialmente, o Ministério da Defesa alemão disse que 50 extremistas haviam sido mortos. Mais tarde, porém, o secretário-geral da Otan, Anders Rasmussen, admitiu que civis poderiam estar entre as vítimas.
O número de mortes de não combatentes variava de 25 a 40, segundo autoridades locais. Um suposto porta-voz do Taleban, no entanto, disse que todos os mortos eram civis.
A Alemanha, que tem cerca de 4.000 soldados no Afeganistão, justificou o ataque alegando que os caminhões poderiam ser usados para ataques suicidas.
Devido às mortes de civis, o episódio pode influir nas eleições parlamentares do dia 27 na Alemanha - onde a participação na guerra é impopular -, em que a chanceler (premiê) Angela Merkel tentará a reeleição.
O ataque ocorre três meses após o general Stanley McChrystal assumir a chefia das forças americanas no país prometendo conter incidentes similares, que têm sido um dos principais pontos de atrito de Cabul com os EUA.
Festa na Embaixada dos EUA
Oito guardas foram demitidos e dois pediram demissão da Embaixada dos EUA em Cabul, após denúncias de comportamento imoral e de comprometer a segurança do posto diplomático, onde trabalham mil pessoas.
Segundo relatório divulgado na terça-feira pela organização sem fins lucrativos Project on Government Oversight (Pogo), os guardas levaram prostitutas para festas em seu alojamento - o que é considerado uma brecha grave de segurança e disciplina. Fotos das festas, vazadas na Internet, mostram os seguranças nus e alcoolizados. Os supervisores também são acusados de humilhar os guardas de origem asiática, urinar sobre eles e forçá-los a beber álcool.