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Festa e manifestação unem minorias

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Festa ou manifestação? A Parada da Diversidade em Bauru reuniu as duas coisas. Ontem, a avenida Nações Unidas tornou-se passarela para uma manifestação em forma de festa que cobrou respeito e dignidade a qualquer ser humano - seja ele gay, lésbica, bissexual, transexual, negro, pessoa com deficiência ou mulher. Durante todo o evento, apenas discriminação e preconceito foram censurados.

O objetivo é que continuem proibidos também mundo afora. “Não somos poucos. Mostramos para a sociedade que temos força para mudar uma eleição. É isso que a Parada busca”, disse Rubya Bittencourt, a drag queen madrinha da parada bauruense. Nascida na cidade, por volta das 15h30, ela já estava “montada” para participar do evento, a despeito da chuva. Segundo a Polícia Militar, os participantes começaram a se concentrar às 11h30 na Praça da Paz.

Quatro horas mais tarde, molhados, dançavam embalados ao som eletrônico. Arco-íris e chuva sempre de mãos dadas. Sob uma sombrinha com as cores do horizonte, quando ‘enfeitado’ (claro), Léo Áquilla não temeu a água e tomou posição num dos quatro trios elétricos que animaram os participantes.

Durante entrevista, ressaltou que sua presença, assim como de outras personalidades (inclusive Monique Evans), tem como objetivo dar visibilidade ao evento e lembrar a quem quer que seja para nunca baixar a cabeça por ser quem é ou pela sua orientação sexual. “Tem que ter orgulho”, afirmou. Linda, conta que seu segredo de beleza é justamente ser assumida. Léo Áquilla casa no próximo ano, com direito a véu e grinalda.

Muitos outros casais devem seguir o mesmo caminho. Durante a Parada da Diversidade de Bauru, demonstrações de afeto entre pessoas do mesmo sexo e do sexo oposto não faltaram. Logo após o Hino Nacional entoado sob chuva e acompanhado de modo irreverente - inclusive por alguns presentes que tocavam suas cornetas quase lúdicas - o casal Edilene Salles e Jaqueline Xavier seguia a pé pela avenida a marcha conduzida pelos trios elétricos.

De Bauru, garantem que mesmo fora do evento nunca sofreram qualquer preconceito por conta da orientação sexual. Para impedir eventuais vítimas de discriminação decorrentes de qualquer razão, um grupo grande de meninas com idade entre 10 e 22 anos, todas do Jardim Bela Vista e heterossexuais, deu apoio à causa e curtiu a festa. Fizeram como elas famílias inteiras, várias com crianças no colo.

Luzinete Máximo da Rocha é um exemplo, mas especial. Ela é mãe de três homossexuais. Estava com eles, além do caçula ainda criança. “Nunca tive qualquer problema. Quero a felicidade deles, só”, comentou. Já foi procurada por pais que enfrentaram a questão dentro de casa, mas não tiveram facilidade para lidar com o assunto. Para Luzinete, sua colaboração, em alguns casos, não suplantou idéias arraigadas e a pressão social.

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