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Educação no trânsito

Isolina Bresolin Vianna
| Tempo de leitura: 2 min

Todos parecem estar muito preocupados com a educação no trânsito, ensinando até as crianças para que se tornem adultos responsáveis a fim de que não se tornem passíveis de multas. Eu acho certo que assim seja feito. Mas será que não seria a hora de se estender a exigência dessa mesma educação para os que estão incumbidos de lavrar essas multas?

Fiquei estarrecida pela forma com que um dos famosos azuizinhos da nossa prefeitura, portanto, indiretamente subordinado ao nosso prefeito, tão bem educado, um perfeito cavalheiro, se dirigiu a uma senhora de meia idade, honestíssima comerciante do Centro da cidade, cidadã no mais alto grau, pagadora de impostos em dia e cumpridora de todos os seus deveres de mãe de família e avó, que, num sábado, fora do horário de expediente normal, parou com uma perua ao lado do seu estabelecimento comercial para descarregar caixas destinadas ao seu comércio. O azulzinho não só a multou como debochou, humilhou e a ofendeu. O menor dos deboches foi chamá-la de velha gorda, com um olhar de desprezo como se estivesse olhando um lixo. E ainda por cima a desafiou a apresentar queixa contra ele, saindo dando gargalhadas ao entrar na perua da prefeitura.

Pois a senhora, atendendo ao próprio desafio do azulzinho, fez realmente um BO, pois mesmo que ele tivesse o direito de multar, não tinha o direito de ofender a pessoa a quem multou. Estou esperando com um certo receio de que, de fato, nada seja feito, razão pela qual estou aqui, manifestando minha indignação em meu nome e no de todas as cidadãs velhas e gordas, cumpridoras de seus deveres, humilhadas e ofendidas por aqueles que deveriam dar exemplo de boa educação, inclusive cuidando do trânsito.

A autora,Isolina Bresolin Vianna, é professora, integrante da Academia Bauruense de Letras e colaboradora do Opinião

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