Tókio - O líder do Partido Democrata do Japão (PDJ), Yukio Hatoyama, foi eleito ontem premiê do Japão. Ele assumiu o cargo com promessas ambiciosas de transformar o país, reduzir a burocracia e afinar as relações com os Estados Unidos.
Hatoyama, 62 anos, nunca ocupou um cargo público e preside o PD há apenas três meses. Críticos questionam se ele terá capacidade de assumir como premiê após seu partido acabar com 54 anos de hegemonia de governo do Partido Liberal-Democrático (PLD), com uma vitória histórica nas eleições legislativas de 30 de agosto.
O líder do PDJ, de uma família tradicional na elite e na política japonesa, substitui Taro Aso e será o quinto primeiro-ministro do Japão em apenas cinco anos. Será ainda o quarto consecutivo que descende de um chefe do Executivo já que seu avô, Ichiro Hatoyama, governou o país de 1954 a 1956.
O avô materno do novo governante é o fundador do fabricante de pneus Bridgestone, que anteriormente pertenceu ao PLD, de onde saiu em 1993 para fundar o PDJ, com outros exilados dessa força política e alguns socialistas.
Em uma campanha que uniu socialistas e exilados do PLD, Hatoyama se comprometeu em investir em programas sociais, revisar o status dos 50 mil militares dos Estados Unidos no Japão e de reorientar a economia reduzindo a dependência das exportações.
Com o slogan de uma política “a favor da vida das pessoas”, ele prometeu redistribuir parte da renda nacional às famílias, aos desempregados e aos aposentados, além de combater o trabalho precário e aumentar o salário mínimo.
O PDJ espera com esta política devolver a confiança aos japoneses para que consumam mais, com o objetivo de reativar a economia, e ao mesmo tempo estimular as famílias a ter filhos, em um país em crise demográfica.
Para financiar o programa, o novo governo pretende reduzir os gastos em obras públicas, além de racionalizar e descentralizar a administração.
Hatoyama quer ainda reforçar a diplomacia japonesa, com uma atitude mais independente em relação aos Estados Unidos e uma aproximação dos países asiáticos, começando pela China.
Em sua primeira entrevista coletiva como primeiro-ministro, Hatoyama pediu paciência ao povo japonês pela inexperiência de seu gabinete.