A nova proposta apresentada ontem pela diretoria da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) pôs fim à greve dos funcionários dos Correios em Bauru. A categoria aceitou a oferta da empresa em assembléia realizada com os trabalhadores durante a tarde e voltou ao trabalho à 0h de hoje.
A decisão local contraria o posicionamento tomado pela maioria dos 35 sindicatos de todo o País, que rejeitou a proposta e mantém a paralisação das atividades. Segundo balanço parcial divulgado pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Correios (Fentect) no início da noite, de 21 sindicatos regionais, somente Bauru havia votado pelo fim do movimento grevista.
Para o vice-presidente do sindicato da categoria na cidade, Luiz Alberto Bataiola, embora a oferta não tenha alcançado os índices exigidos pelos trabalhadores durante a greve, o saldo foi positivo. “Não acredito que conseguiríamos um aumento maior do que o oferecido ontem, caso continuássemos paralisados”, avalia.
O novo acordo, aceito pelos funcionários da cidade, prevê reajuste imediato de 9% e aumento linear de R$ 100,00 em todos os holerites, a partir de janeiro de 2010. Para mais de 100 mil empregados que ocupam cargos de nível médio (na maioria carteiros, atendentes e operadores de transbordo), a assinatura do acordo vai representar um aumento de salário entre 15% e 25%.
Os valores do auxílio-alimentação e da cesta-básica também terão melhorias a partir da assinatura do acordo: passam de R$ 20,00 para R$ 21,50 e de R$ 110,00 para R$ 120,00, respectivamente, com pagamento retroativo a agosto de 2009. Em agosto do próximo ano, esses valores sobem para R$ 23,00 e R$ 130,00.
A proposta prevê, ainda, reajustes nos valores do auxílio-creche e auxílio para filhos dependentes de cuidados especiais, que passam, respectivamente, para R$ 571,74 e R$ 360,20. Com o fim da greve, a estatal também se comprometeu a não descontar os dias parados do salário dos servidores.
As negociações entre a empresa e a categoria tiveram início em 1 de agosto. A empresa havia apresentado um reajuste de 4,5%, rejeitado pelos trabalhadores. A reivindicação inicial feita pelos funcionários era aumento de 41,03%, correspondente a perdas ocorridas nos últimos 15 anos. O primeiro dia da greve dos funcionários dos Correios, anteontem, foi marcado pela suspensão dos serviços com hora marcada, como Sedex 10, Sedex Hoje, Sedex Mundi, Disque Coleta e Logística Reversa Domiciliária. De acordo com a empresa, a entrega das correspondências simples não chegou a se acumular, já que um plano de contingência foi posto em prática para minimizar os atrasos na prestação do serviço postal.
No resto do País, a greve continua e o sindicato em Bauru deve acompanhar a evolução do movimento, embora Bataiola enfatize que não há possibilidade de os funcionários da cidade aderirem novamente à paralisação. “A greve, aqui, já alcançou nosso objetivo”, finaliza.