Conhecia somente as “cartilhas da Deborah”. Formei, com minha mulher, Janira, uma forte amizade com ela somente depois que mudei para São Paulo, em 1970. Hoje, quando em Bauru (ela reside em São Paulo), nos telefona e marcamos encontros para um cafezinho em alguma lanchonete e muita conversa jogamos fora. Conheci-a quando mudei para São Paulo. Minha mulher cursava o último ano na Faculdade de Belas Artes da Fundação Educacional de Bauru (FEB) e não conseguiu transferir-se para a Capital. Havíamos alugado um apartamento na rua Santo Antônio e eu lá e ela aqui. Viajava semanalmente pelo “Expresso de Prata”. Como passei a morar sozinho, um amigo, Hélio Louzada, genro de dona Deborah Pádua Mello Neves, sabendo de minha situação, consultou-me se eu não queria dividir o apartamento com o Valdemar, filho dela, que também estava residindo na Capital. Aceitei a oferta e conosco também foi morar um arquiteto, primo de minha mulher, Carlos Wanderley Ferreira. Essa situação perdurou até que Janira concluiu a Faculdade. Passamos então, nós dois, a morar naquele apartamento.
Nesse intervalo de tempo, dona Deborah havia comprado um apartamento na rua Frei Caneca, na cidade de São Paulo e o Valdemar mudou para lá. O Carlos foi morar na Vila Madalena. O apartamento da Frei Caneca, com a nossa contínua convivência, tornou-se uma embaixada de Bauru, ponto obrigatório de agradáveis encontros com bauruenses. Enfim, toda essa história para contar como conheci dona Deborah e um anjo que lhe acompanha, dona Nilza, empregada de toda a vida dessa professora amiga. Durante nossa moradia conjunta, Valdemar comprou um “fusquinha” verde e viajamos junto com sua mãe para Bauru, sedimentando assim a nossa amizade. Tanto que, quando ela completou 87 anos (agora está fazendo 90), a festa de seu aniversário foi na nossa casa atual. Em todas as saídas com dona Deborah, observamos quantas pessoas lhe são conhecidas, a maioria antigos alunos. Mulher de história bonita, tentei de todas as maneiras que ela escrevesse um livro sobre sua vida, mas ela não se encorajou para tal. Prefere escrever livros didáticos. Das muitas coincidências entre nós, uma vale a pena contar: minha mulher, em 2002, fez uma exposição de colagens no Projeto Vivaldi, coordenado pelo “Ju Machado - Escritório de Arte”, com o tema “Velar, Des(velar), Re(velar)”, em que, usando computação gráfica e fotos de parentes, amigos e colegas de trabalho, produziu uma obra em que integram também partes de quadros de Cícero Dias, Botticelli, Magritte, etc. Entre os clássicos, numa das composições, em uma canoa em pleno rio Aquidauana, lá estão Janira, Deborah e sua irmã Vera.
Irineu Azevedo Bastos