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Novela das oito, a ‘ditadora’ de moda no País

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Tudo o que as protagonistas das novelas das oito vestem vira moda. Quando as mulheres, e não somente elas, identificam-se com alguma personagem, elas procuram se vestir da mesma forma que a atriz para ficarem parecidas. Nessa busca por modelos de beleza, as personagens que interpretam papéis de “mocinha” na novela fazem mais sucesso.

Roupas, acessórios, cabelo e maquiagem, como a usada por Juliana Paes em “Caminho das Índias”. Algumas mulheres ficam loucas para se parecer com o que viram na televisão. Segundo o assessor de moda Bruno Furlanetto, a novela desperta nas pessoas o desejo de se tornar como o personagem, seja no padrão de beleza, de como encarar a vida ou simplesmente na forma de se vestir.

Desta forma, vão alimentando um sonho. “Nosso grande exemplo é a novela das oito, a maior ditadora de moda do País, onde uma simples blusa floral usada pela protagonista vira a grande procura no outro dia nas lojas. É uma referência. A televisão, na verdade, é a grande vitrine da moda no mundo”, afirma.

Para o antropólogo Cláudio Bertolli Filho, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, existe um certo mimetismo entre a vida real e o que se passa na novela. As pessoas procuram imitar os personagens no plano dos valores e das mercadorias que eles consomem.

“Então, usar as mesmas roupas é uma forma de cooptar com os valores comportamentais, com o status assumido pelo personagem”, diz Bertolli. O sucesso do momento, para citar apenas um, era o visual da personagem Duda na novela “Caminho das Índias”, que acabou há uma semana.

O visual chique e despojado de Tania Khalill estava fazendo o maior sucesso com a mulherada, que, durante a novela, ligava o tempo todo para a central de atendimento ao telespectador da Rede Globo para conseguir informações sobre o “look”. Segundo a emissora, a personagem de Tania liderava o ranking das mais requisitadas da novela quando o assunto era cabelos e moda.

Além da questão da auto-afirmação como indivíduo, o desejo das pessoas em querer estar sempre na moda tem a ver também com o sentimento de renovação. Esta é a avaliação do antropólogo da Unesp. Segundo Bertolli, o ser humano sente a necessidade de renovar tudo, inclusive as roupas que usa. “Daí uma moda diferente a cada estação”, resume.

Para o professor, se de um lado existe esse desejo de renovação, de outro surge a pergunta inevitável: como renovar e continuar sendo a mesma pessoa? Segundo Bertolli, o ser humano encontra muita dificuldade para renovar idéias, valores, conceitos. Então, renova-se a imagem. É muito mais fácil mudar cabelo, roupa, acessórios, maquiagem e outros itens mais supérfluo.

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Berço da moda

Se a TV influencia o modo de vestir de uma parte da população, quem ou o quê influencia o restante do povo que não assiste às novelas, mas gosta de acompanhar a moda? Segundo o assessor de moda Bruno Furlanetto, as grandes tendências sempre surgiram na Europa, considerada o berço da moda mundial. É o lugar onde estão instaladas as maiores casas da alta-costura, como Chanel, Armani, Christian Dior, Christian Lacroix, Lanvin, Balenciaga, Herme’s, entre outras.

De acordo com ele, a cada estação, cresce no Brasil a mistura da tendência européia com o tropicalismo, o que, aos poucos, vai dando uma cara bem característica do povo brasileiro. “As tendências ou referências surgem de fora, mas passam por um processo de adaptação ao estilo do País pelos criadores daqui”, explica.

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