Internacional

EUA teme fracasso no Afeganistão

Folhapress
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Washington - O comandante das forças dos Estados Unidos no Afeganistão, general Stanley McChrystal, afirmou em relatório entregue ao governo que o país deve fazer uma revisão urgente na estratégia para o Afeganistão e alertou que, ao causar a morte de civis e danos colaterais “desnecessários”, pode perder a batalha contra o grupo islâmico radical Taleban.

“Nós corremos o risco de uma derrota estratégica ao tentar utilizar táticas que causam morte de civis ou dano colateral desnecessário. Os insurgentes não podem nos derrotar militarmente, mas nós podemos causar nossa própria derrota”, disse McChrystal, que é comandante também das forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Afeganistão.

A missão internacional foi duramente criticada pelo recente bombardeio aéreo, no último dia 4, contra dois caminhões-tanque com combustível roubados pelos militantes do Taleban. Segundo uma comissão de investigação ordenada pelo governo afegão, o ataque matou 30 civis e 69 militantes.

O general McChrystal, que ordenou uma investigação sobre o bombardeio, disse ainda que o esforço na guerra no Afeganistão “está se deteriorando” apesar do “esforço considerável e sacrifício”.

Segundo cópia do relatório, divulgado pelo jornal “Washington Post”, McChrystal pede um reforço nas tropas americanas no país e diz que, sem mais soldados, a missão americana deve “terminar em fracasso”.

Um porta-voz para o Ministério de Defesa do Afeganistão afirmou ontem que o governo afegão não deve contestar os comandantes militares internacionais no assunto, mas que o foco maior está do outro lado da fronteira, no Paquistão - país incluído por Obama na guerra ao grupo islâmico radical Taleban. Segundo o porta-voz, os insurgentes estão se infiltrando no Afeganistão pela fronteira com o Paquistão.

Decisão

Obama deve decidir agora se seguirá os conselhos de McChrystal e enviará milhares de soldados adicionais ou se manterá o esforço adicional já anunciado no começo do ano e que prevê que, até o fim de 2009, haverá 68 mil soldados americanos no Afeganistão.

A decisão fica ainda mais difícil diante da resistência dos americanos ao conflito, cujo apoio atingiu o menor nível entre os americanos desde que o conflito foi iniciado, com a invasão das forças americanas pouco depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Segundo pesquisa Opinion Research Corp., feita para a rede de TV CNN, 39% dos americanos dizem apoiar a guerra contra 58% que opõem-se ao conflito.

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