Política

Reforma é ponto chave na estação

Por Monise Centurion | Com Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O custo da reforma do prédio da antiga Estação Ferroviária, localizado na praça Machado de Mello, no Centro, poderá ser fator decisivo para o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) viabilizar a compra do empreendimento, avaliado pela Caixa Econômica Federal (CEF) em R$ 6,3 milhões. O chefe do Executivo deve enviar hoje um técnico para visitar as instalações do prédio.

Ontem, Agostinho disse que, se o Legislativo mostrar interesse em se instalar na estação, vai conversar com os vereadores sobre uma composição para tentar viabilizar o negócio. “Dar destinação para a estação está em meu plano de governo e vou atuar para cumprir. Vou mandar representante da prefeitura na vistoria técnica que os vereadores vão realizar no local. Depois vamos avaliar se o valor da reforma pode ser absorvido, se é a curto ou médio prazo. Se for viável o custo, a aquisição é uma alternativa”, disse o prefeito.

Entre as opções, o chefe do Executivo considera que prefeitura e Câmara podem reduzir o custo final do projeto. “O Sindicato dos Ferroviários topa parcelar o pagamento se ele for feito dentro do mandato, até 2012. Se a Câmara decidir pela estação, há chance de discutir amortizar o valor no Orçamento junto com a prefeitura e esta pode ser uma saída. Vamos analisar e conversar com o Legislativo, ver se há interesse em ficar com uma ala do prédio”, acrescentou.

Na opinião do secretário municipal de Obras, Eliseu Areco, é necessário realizar ampla reforma no local, o que demanda elaboração de projeto. “Tenho que fazer um levantamento cadastral, que é descobrir o que existe de estrutura física, decidir toda a patologia da obra - o que tem de tubulação e o que não tem, se existe algum comprometimento estrutural, quais são as soluções, projeto de adaptação -, ver quais são os setores, quais os tipos de rede de informática que vão utilizar, projeto de pára-raios, bombeiros. Isso é um projeto imenso. Teria de abrir licitação para contratar uma empresa e fazer esse levantamento”, opina o secretário.

Para o secretário municipal de Planejamento (Seplan), Rodrigo Said, o preço da reforma depende do acabamento e instalações da obra. “A localização do prédio da rede é muito boa. Há possibilidade de área de estacionamento no pátio para facilitar o acesso ao prédio. Além disso, a venda do prédio vai beneficiar os ferroviários de Bauru. Tudo vem para somar para a cidade”, afirma.

O titular da Seplan acredita que a secretaria possa estar envolvida na avaliação dos custos da reforma do prédio. “Tem que ser verificado muita coisa. Se vamos transferir uma parte da prefeitura para lá (hoje temos as pastas da Saúde e Educação funcionando em prédios alugados), então verifica-se tudo o que é necessário, quantas pessoas vão ocupar de cada uma dessas secretarias, se vão deslocar outras secretarias para lá, se a Câmara vai para lá também”, diz Said.

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Despesa pode ser dividida com Legislativo

A despesa que a administração municipal terá de pagar para comprar o prédio da antiga Estação Ferroviária pode ser dividida com o Legislativo de Bauru, pois existe a possibilidade da Casa de Leis migrar para o imóvel, já que o espaço atual está pequeno e precisaria ser ampliado, assim como algumas secretarias de governo que funcionam atualmente em prédios alugados. No Plano Plurianual (PPA), há uma previsão no Orçamento de R$ 5 milhões a mais para a construção de um novo prédio para a Casa.

“O prefeito está fazendo proposta da gente ajudar, dentro da previsão orçamentária, passar uma parte, para a compra do prédio, e a Câmara reformaria a parte dela. Acho que é uma boa. A gente está vendo essa possibilidade de estar revitalizando um prédio histórico, que está se deteriorando. A cidade de Bauru se desenvolveu pela ferrovia. Está mais propício a uma eventual compra da ferrovia junto com a prefeitura. Será positivo para a cidade”, afirma o presidente da Câmara Municipal de Bauru, Pastor Luiz Carlos Barbosa (PTB).

Relatório da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag) sobre a possibilidade de aumentar a atual Casa de Leis indicou a construção de um novo prédio como melhor opção. O presidente da Assenag, Émerson Crivelli, informou que há problemas de estacionamento no local, de acessibilidade, e que há muitas construções na praça Dom Pedro.

O chefe do Legislativo também aguarda opinião da Comissão Temporária para Construção do Novo Prédio, composta por José Roberto Segalla (DEM), Roque Ferreira (PT), Moisés Rossi (PPS) e Fabiano Mariano (PDT), que deve ser reunir na quinta-feira, às 9h. Há possibilidade de um grupo de vereadores realizar vistoria técnica no imóvel ainda hoje.

Para Moisés Rossi, que preside o grupo, a mudança é inviável. “Sair de um prédio onde estamos mal acomodados, onde não foi construído para isso, e ir para outro onde nós vamos na mesma situação, e que não foi construído para isso, não tem o menor sentido. O prédio da estação pode servir para secretaria, para algum setor da prefeitura, mas para a Câmara não. Ela exige um design interno diferenciado.”

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