Transmitida ao cão pela picada do mosquito conhecido como “palha”, a leishmaniose também pode atingir o homem. Nos cães, os sintomas mais comuns são emagrecimento, queda de pêlos, feridas pelo corpo, problemas renais e a perda do apetite levam o animal ao óbito em pouco. Em 60% dos casos o animal tem a doença, mas não apresenta nenhum dos sintomas citados acima.
Hospedeiro da doença, o animal pode ser picado por um mosquito que posteriormente poderá picar também o ser humano. No homem, se diagnosticada precocemente, a doença tem cura, mas tudo vai depender de como anda o sistema imunológico da vítima.
Para os cães, no mercado brasileiro existem apenas vacinas imunoterápicas. Seis doses aplicadas a cada 21 dias garantem imunidade ao animal medicado por seis meses. O efeito pode ser prolongado caso o animal receba semestralmente outras duas doses da vacina, ao custo médio de R$ 60,00.
Para os cães contaminados, existe um medicamento que impede a progressão da doença e seus sintomas, mas não livra os animais da doença. Não autorizado pelo Ministério da Saúde e pelo Ministério da Agricultura, seu uso, com o passar do tempo, pode trazer prejuízos à atividade renal do animal, segundo veterinário consultado pela reportagem e que prefere não se identificar.
Carolina Gardin, médica veterinária que atende no Hospital Veterinário da Universidade Paulista (Unip) em Bauru, explica que, no passado, a leishmaniose já foi sazonal na cidade, mas hoje é registrada o ano todo. “Todos os dias são diagnosticados ao menos dois animais com a doença”, afirma.
Como o tratamento do animal com a doença é proibida no Estado de São Paulo, o cão é sacrificado. “Nós trabalhamos com os proprietários dos animais sadios, indicando a prevenção”, explica. Gardin chama atenção para o diagnóstico correto, que pode ser feito por meio do exame sorológico e da pesquisa do parasita.
De acordo com informações da Secretaria Municipal de Saúde de Bauru, no ano passado 79 casos em humanos foram registrados com noves mortes. Dados totalizados até 22 de setembro deste ano apontam 12 casos confirmados e nenhum óbito.