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Escola passa pela 2.ª grande reforma

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

Como presente de aniversário, a Escola Estadual Ernesto Monte ganhou sua segunda grande reforma. A primeira ocorreu entre 1972 e 73. Na ocasião, as aulas foram transferidas para o Conjunto Educacional Brasil-Portugal, no Jardim Estoril. A exemplo da primeira, esta também deverá levar um ano para ficar pronta. O custo será de R$ 1,6 milhão e o dinheiro sairá dos cofres do Governo do Estado, por meio da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE).

Segundo informou a diretora da escola, Heloise Helena Cerqueira de Souza, as reformas que vinham sendo feitas eram apenas emergenciais. A atual vai mudar totalmente a estética do prédio, além de trocar toda parte elétrica e hidráulica. Todo o piso das salas de aula está sendo trocado, assim como os batentes que, segundo a diretora, estão infestados de cupim. O prédio vai ganhar pintura nova, torneiras antidepredação e as lousas serão reformadas. Essas serão algumas das modificações pelas quais passará a escola. “Estou esperando por essa reforma há 15 anos”, diz a diretora.

Entretanto, ao contrário do que aconteceu da primeira vez, as obras seguirão com os alunos dentro do prédio. Quando necessário, haverá uma adaptação aqui outra ali, mas as aulas continuarão normalmente. Hoje, a escola está com cerca de 1,3 mil alunos.

Segundo Heloise, o prédio tem sofrido muito com as depredações, especialmente depois da passagem de um grupo de alunos, há cerca de dois anos, que praticava destruição sistemática da escola. Eles se foram, mas o estrago ficou.

Na opinião da diretora, não é somente o prédio que está precisando de uma reforma urgente. Ela afirma que o comportamento dos alunos também tem de ser reformado, assim como a atitude dos professores. Enquanto um não quer aprender, o outro não se esforça para ensinar. Heloise diz que não é correto generalizar, pois ainda existem alunos e professores compromissados com a educação, como eram alunos e professores da época de ouro do Ernesto Monte.

Mas não há como negar que caiu a qualidade tanto de um quanto do outro. Hoje é muito comum ver alunos desmotivados e professores idem. Independentemente da questão salarial (apontada como um das principais causas para essa desmotivação), os professores, na opinião da diretora, não estão preparados para lidar com os alunos que não querem aprender. “Eles estavam acostumados com os alunos que tinham um objetivo na vida e os estudos era o meio para alcançar esses objetivos”, comenta.

Atualmente, uma grande parte dos alunos não leva os estudos a sério. Aliado à queda na qualidade da formação dos professores, esse desinteresse faz da escola de hoje um lugar bem diferente daquele de algumas décadas atrás. “Mudou muito, mas ainda acho que a escola é a maior formadora de cidadãos”, afirma Heloise.

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Quem foi?

Filho do português Agostinho Monte e de Elisa de Castro Monte, Ernesto Monte nasceu a 20 de agosto de 1899, em Jundiaí, onde fez o curso primário e começou a trabalhar, com apenas 12 anos, nos escritórios da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Em 1916, transferia-se para Bauru, passando a trabalhar na contadoria da Noroeste.

Quatro anos mais tarde, adquiriu a Casa Minerva, localizada na avenida Rodrigues Alves, e passou a se dedicar ao ramo de secos e molhados. Em seguida, plantou algodão e amoreira, criou bicho-da-seda, administrou loteamentos no Jardim Bela Vista e na Vila Independência, montou fábrica de laticínios no Quilombo e vendeu lenha para a Noroeste.

Foi atacadista de cereais, possuiu bar, posto de gasolina e instalou fábrica de sabão. Elegeu-se vereador em 1928 e, no ano seguinte, assumiu a prefeitura, durante pouco tempo. Contudo, conseguiu abrir a estrada para Iacanga e Pederneiras e a inauguração das linhas telefônicas para São Paulo.

Nomeado pelo interventor do Estado de São Paulo, Ademar de Barros, Ernesto Monte governou Bauru de 1938 a 1946, justamente o período crítico da 2.ª Guerra Mundial, que começou em 1939 e terminou em 1945. Embora nosso País não tivesse sofrido as conseqüências diretas de uma guerra, que são as lutas e os bombardeios, sofreu conseqüências indiretas, como a falta de certos produtos de vital importância: farinha de trigo, óleo comestível e gasolina.

Durante sua gestão na prefeitura, Ernesto Monte dobrou o número de grupos escolares em Bauru, que na época de sua posse contava com apenas três. A Escola Industrial foi criada por ele, mas não chegou a vê-la construída, pois só muitos anos mais tarde o edifício foi construído e nele passou a funcionar a Fundação Educacional de Bauru em lugar da Escola Industrial.

A Escola Agrícola, criada em seu governo, também agasalha hoje outro tipo de instituição, o Instituto Penal Agrícola (IPA). O Recinto Mello Morais, onde há exposição de gado, também foi edificado durante sua administração. Durante os oito anos de prefeitura, calçou diversas ruas e arborizou-as. Ele abriu várias vias, como a avenida Duque de Caxias, asfaltou e desobstruiu a avenida Rodrigues Alves para que ela pudesse prosseguir além da rua Antônio Alves, pois seu sonho era que ela alcançasse a Estação de Triagem.

Ele lançou a tradição de desfiles escolares, por ser entusiasta de comemorações cívicas. Ernesto Monte incentivava festas culturais, patrocinava conferências e recitais de arte que eram apresentados quer no Automóvel Clube, quer no Centro Cultural, onde funcionou a primeira biblioteca pública da cidade, com ajuda da prefeitura.

Ele dizia que “fora da caridade não há salvação”, por isso trabalhou para angariar numerários para instituições de caridade da cidade, sendo que de duas delas ele fora presidente: o Lar dos Desamparados e o Albergue Noturno.

Em 1947, ficou como primeiro suplente na eleição para deputado estadual. Assumiu a vaga após o falecimento do deputado eleito. Monte morreu no exercício do mandato, em 4 de novembro de 1950. Na Assembléia Legislativa, conseguiu a criação da Faculdade de Odontologia, instalada após sua morte. (Trechos retirados dos livros “Instituto de Educação Ernesto Monte – Nos Anos Dourados” e “Ernesto Monte – 60 Anos de Tradição”)

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