Internacional

Governo admite suspender estado de exceção

Folhapress
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Tegucigalpa - O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, afirmou ontem que o decreto aprovado em Conselho de Ministros que restringe durante 45 dias as liberdades de locomoção, de reunião e de expressão do pensamento e autoriza as detenções sem ordem judicial prévia será derrubado “em breve” para preservar o andamento do processo eleitoral -as eleições presidenciais deverão ocorrer em novembro que vem.

O recuo é anunciado menos de um dia após a aplicação das restrições. Mais cedo, José Miguel Insulza, o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), havia afirmado que o estado de exceção contrariava a intenção de propiciar um ambiente para realização de eleições democráticas.

Mas a surpresa veio no meio da tarde, no Congresso. A bancada do Partido Nacional, a segunda maior, e outros partidos menores que têm apoiado Micheletti, disseram ao governo golpista que rejeitariam o decreto que impôs as medidas de exceção.

Horas depois, Micheletti disse que convocará o Conselho de Ministros para pedir que recuem e revoguem o estado de exceção. O anúncio foi feito após reunião de Micheletti, o presidente do Congresso, Alfredo Saavedra.

Fechamento de emissoras

A principal conseqüência do estado de exceção foi o fechamento, na madrugada de ontem, de duas emissoras pró-Zelaya que o governo acusava de transmitirem mensagens do presidente deposto incitando a insurreição popular.

Zelaya, que está na embaixada brasileira em Tegucigalpa após retornar clandestinamente ao país na última segunda-feira, disse que a atitude é uma evidência de que “foi instaurada uma ditadura brutal em Honduras, a mais dura que o país já viu em sua história”. Segundo ele, a situação deve se agravar ainda mais.

“Eles silenciaram as únicas vozes o que o povo hondurenho tinha, estão matando nosso espírito de forma cruel e desumana”.

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