Internacional

Honduras: Brasil tem pressa na solução

Folhapress
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Brasília - O chanceler Celso Amorim afirmou ontem, em audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado, que a situação do governo deposto de Honduras é “singular” dentro da história da diplomacia internacional e que tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto a comunidade internacional têm pressa em resolver a situação para que as eleições marcadas para novembro que vem sejam reconhecidas.

“O Brasil defende a decisão rápida, senão ocorrerão eleições que serão questionadas, se forem conduzidas pelo governo de facto. A comunidade internacional como um todo já informou, a pelo menos dois candidatos, que não reconheceria eleições conduzidas nesta situação”, afirmou.

Redução de pessoas

O chanceler afirmou também ter recebido de Zelaya uma promessa de que o total de pessoas abrigadas na embaixada, ao seu lado, será reduzido nos próximos dias. No primeiro dia, mais de 300 pessoas entraram no prédio.

Brasil negou avião

Amorim revelou que Manuel Zelaya pediu a ele há aproximadamente três meses o empréstimo de uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para levá-lo de volta a Tegucigalpa. O pedido foi negado pelo chanceler.

Amorim contou que o pedido de empréstimo feito por Zelaya foi feito logo depois de o Brasil ter cedido um avião da FAB para levar a Honduras o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, José Miguel Insulza, em julho.

Planos de empresários

A Associação Nacional de Industriais de Honduras apresentou ontem a primeira proposta vinda de líderes que apoiaram a destituição de Manuel Zelaya para que ele volte à Presidência, ainda que com poderes restritos. O líder dos industriais, Adolfo Facussé, cujo visto para entrar nos Estados Unidos foi cassado em represália pelo apoio ao governo interino de Roberto Micheletti, disse que o plano prevê ainda o envio de uma força militar multinacional a Honduras.

O plano para encontrar uma rápida solução para a crise hondurenha prevê que Zelaya seja reinstalado no poder, mas que, de imediato, se submeta aos tribunais de Justiça para responder pelas acusações de desrespeito à Constituição que pesam contra ele, disse Facussé.

“O presidente Micheletti, de quem esperamos uma atitude patriótica, voltaria ao Congresso já não como presidente, e sim como um deputado comum, e teria uma cadeira vitalícia, o que é inédito, mas não é proibido por lei’’, acrescentou Facussé.

Para garantir o cumprimento do acordo por todas as partes, seria pedido o envio de uma força multinacional, integrada por 3.000 militares ou policiais do Canadá, Panamá e Colômbia, afirmou Facussé.

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Micheletti reafirma compromisso de proteção à embaixada

Tegucigalpa - O governo interino de Honduras reagiu às reclamações do Brasil perante a ONU quanto às ameaças à segurança da sua embaixada em Tegucigalpa com um comunicado “ao povo das Nações Unidas”, no qual reassume a responsabilidade pela segurança do prédio, mas, por outro lado, renova as acusações de interferência nos assuntos internos e pede respeito às eleições de novembro que vem.

“Aos povos da Nações Unidas, peço que protestem contra o intervencionismo estrangeiro em Honduras; peço que apoiem o processo eleitoral de um povo que deseja viver em liberdade”, afirma o texto da missão permanente de Honduras na ONU.

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