O prazo final para troca de partidos com vistas às eleições de 2010 termina hoje e a temporada de mudanças de legendas intensificou-se nesta semana no cenário político de Bauru. A busca dos pré-candidatos pela sobrevivência eleitoral, ou pela busca de uma vaguinha em alguma legenda de aluguel, culminou num movimento de procura pelos partidos menores, que exigem menos votos (coeficiente eleitoral) para conquista de uma das tão sonhadas cadeiras na Assembléia Legislativa do Estado ou da Câmara dos Deputados, em Brasília.
Grandes legendas, como PMDB, PTB e PSDB, foram trocadas por partidos ou sem expressão nacional, como o PSC, ou de blocos intermediários, como o PSB e o PP. O motivo é claro. Todos querem se eleger e evitar servir apenas de “escada” para ajudar na escolha de candidatos com maior estrutura de campanha ou elevado potencial de voto.
Em geral, a movimentação por troca de legendas repetiu a antiga tentativa de candidatos de buscar outra filiação por falta de espaço em seus partidos atuais, ou não concordar em ser estepe, na cidade, dos pára-quedistas de fora. Outros foram atrás de nova morada para escapar da altíssima concorrência interna, já que nas legendas maiores é necessário mais de 100 mil votos para conquistar uma cadeira (coeficiente eleitoral).
Assim, para tentar conseguir eleger-se deputado federal pela coligação DEM-PSDB, Dudu Ranieri chegou a desfiliar-se do DEM para assinar sua ficha de filiação ao PSC, ontem em São Paulo, mas desistiu no retorno da viagem. O presidente e cacique dos demistas em Bauru teria de agremiar nas urnas, pelo menos, 130 mil votos pela legenda. Já no PSC ele considerava que precisaria de algo em torno de 55 a 60 mil votos.
A idéia inicial era disputar a eleição como candidato a deputado federal. Quanto à dobradinha, Ranieri disse que havia um político que lhe agradava muito, que é o ex-prefeito de Lençóis Paulista, José Antônio Marise (que também debandou do PSDB para tentar viabilizar sua candidatura, agora pelo PSC). Porém, o demista abandonou a idéia e tornou sem efeito o pedido de desfiliação do DEM.
Aluguel e casa nova
O PSC, por sinal, também foi o abrigo do ex-vereador Primo Mangialardo, que no início do ano deixou o PV e aceitou o convite do deputado federal Régis Oliveira para assumir a presidência do partido em Bauru. Mangialardo, inclusive, foi convidado para ser candidato a deputado federal, podendo, assim, dobrar com Marise. Se a opção for disputar o pleito na esfera estadual, a dobradinha seria com Oliveira, que buscará a reeleição. “Vou dobrar com quem for bom para Bauru”, disse, embora, de fato, qualquer das hipóteses signifique ajudar a pulverizar votos entre bauruenses.
Há poucos dias, o ex-vereador Toninho Garmes foi apresentado oficialmente como novo membro do PSB. Desde janeiro, Garmes estava sem legenda, porém tem passagem recente pelo PTB, isso depois de uma longa trajetória no PSDB, legenda que deixou também por não ter espaço para voar mais alto. O ex-vereador afirmou que não tem como pretensão candidatar-se nas eleições de 2010. “O objetivo é ajudar o partido”, disse, ao mesmo instante em que conclui: “Estou à disposição para colaborar”.
Por falar em PSB, Antônio Pedroso Júnior ontem se colocou como ex-vice-presidente da legenda em Bauru, anunciando sua desfiliação. Por enquanto, segundo ele, a futura legenda ainda será escolhida.
O ex-prefeito de Agudos José Carlos Octaviani disse que vai se filiar hoje no PP para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, nas eleições de 2010. Peemedebista há anos, Carlão de Agudos, como é conhecido, chegou a ser cogitado para assinar ficha de filiação no PSDB, PDT e até no PV. Mas viu no PP maior oportunidade, embora continue sendo tucano de carteirinha quando o assunto é aliança política. Carlão vai apoiar, novamente, a reeleição do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB).
Com isso, encerram-se as especulações sobre a possível dobradinha dos tucanos no pleito de 2010. Tudo indica que o tucano Tobias terá ao seu lado o advogado Carlos Braga, que trocou o PP pelo PSDB. Braga assinou ontem sua ficha no ninho. A expectativa é que o advogado analise a possibilidade de candidatar-se a uma vaga em Brasília.
De outra banda, Darcy Rodrigues - que tinha anunciado há pouco tempo ida para o PSB, mas resolveu desfazer a assinatura e ficar no PDT, onde já estava antes. “Fui convidado para entrar no PDT. O pessoal ofereceu uma estrutura de campanha, alguns apoios, estou indo amanhã para São Paulo participar da convenção do partido. Devo ser indicado na chapa majoritária para pertencer à regional do partido e estou pensando seriamente em assumir a candidatura”, disse.