Pense por um instante. O que te chama atenção: uma calçada com buracos e com mato alto ou uma bem cuidada e com uma paginação agradável? Provavelmente sua resposta e da maioria das pessoas é de um passeio público bem cuidado e, que além de possuir um terreno plano, também oferece uma decoração agradável aos olhos.
De acordo com arquiteto Claudio Antonio Berriel Ricci, é possível fazer e manter uma calçada atrativa e que agregue valor ao imóvel. “Além de seguir as normas em vigor no município, como a declividade mínima e altura de guias e sarjetas, o uso de pisos antiderrapantes e de ladrilhos hidráulicos ou pedras portuguesas gera um bom resultado com muita beleza para o espaço”, explica.
De acordo com Ricci, desenhos que ornamentam o piso e pequenos jardins junto ao muro deixam o passeio público mais atraente. “A calçada é o primeiro impacto que qualquer pessoa vai ter quando chegar à residência”, afirma. De acordo com o arquiteto, a paginação do piso pode ser de acordo com o gosto do proprietário.
Ricci chama a atenção também para os equipamentos urbanos que podem também agregar certo valor calçamento. “Um banco, lixeira, árvores que se desenvolverem não irão estragar a pavimentação e podem fazer parte do projeto”, afirma.
Ele chama a atenção para sensação de se caminhar em terreno plano, sem rampas, degraus, buracos ou qualquer outro material impróprio, como piso cerâmico, que em caso de chuva se torna uma armadilha de tão escorregadio.
Pisos ecológicos permeáveis começam a cair no gosto das pessoas e, além de bonitos, permitem que a água da chuva ou parte dela retorne ao solo. “Não é por nada, mas o calçadão da Getúlio Vargas, onde as pessoas praticam caminhadas, é um cimentado só, não tem desníveis, mas poderia ser revestido de pisos permeáveis, por exemplo,” cita.
O arquiteto também lembra a questão da circulação das bicicletas e a construção de ciclovias pela cidade, que têm estado na pauta das discussões políticas. Ele sugere a construção de ciclovias integradas às calçadas. “É perfeitamente viável e resolveria o problema da falta de espaço para os ciclistas”, pontua.
Preocupação
Engana-se quem acredita que por ser a última etapa de uma construção a calçada possua menos valor na visão dos proprietários. Nas casas de materiais para construção e pelas marmorarias da cidade, os proprietários afirmam que quem está construído passa horas escolhendo o melhor material para o calçamento.
Lurdes da Silva Campos, proprietária de uma marmoraria na cidade, conta que cada vez mais as pessoas procuram agregar beleza ao passeio público.
Antônio Fernando Redondo, proprietário de uma loja de material para construção, também confirma a preocupação dos seus clientes com o passeio público. “Temos piso antiderrapante, pedras sextavadas e o material necessário para fazer o piso desempenado com pintura cinza. Todos tem uma ótima saída”, afirma.
____________________
Ecológico
Citada pelo arquiteto Claudio Antonio Berriel Ricci como excelente opção para o revestimento do passeio público, as calçadas permeáveis favorecem o escoamento parcial ou total da água da chuva e começam a ganhar mercado.
Luiz Antônio Sola Filho, o Zizo, proprietário de uma empresa que produz pisos ecológicos e drenantes, explica que por enquanto os proprietários de imóveis comerciais são os principais compradores.
Os imóveis residenciais ainda não descobriram as vantagens do produto, diz Zizo. Segundo ele, a facilidade na remoção do piso sem a necessidade de quebrar a calçada e o lado ecológico estão entre as vantagens de instalação. “Numa chuva de três horas, por exemplo, em média 70% da água volta para o solo”, afirma.
____________________
Até caçambas obstruem as passagens
Não são apenas os materiais utilizados para construção ou reforma que fazem com que o pedestre tenha de desviar pela rua. Galhos de árvores, restos de construção, espaço mínimo destinado ao passeio e até caçambas estão nas calçadas.
A certeza de impunidade é tanta que caçambas que deveriam além de serem bem sinalizadas ficarem na rua, estão sob as calçadas e, se não impedem, ao menos atrapalham a passagem de pedestres.
De acordo com Antonio Charles Machado Franchi, chefe da Seção da Divisão de Fiscalização da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), a fiscalização é feita, mas o número reduzido de fiscais não consegue flagrar todas as irregularidades.
“Os fiscais de postura estão pelas ruas. A fiscalização é dividida em setores, mas nem sempre é possível flagrar esse tipo de situação”, afirma. Franchi explica que a atuação da equipe depende das denúncias dos moradores. “Quando é feito uma denúncia, os fiscais vão até o local e, confirmado o problema, a notificação para solução do problema é emitida no ato”, garante.
Outro problema que o chefe da fiscalização reconhece está na colocação de tapumes nas construções. De acordo com ele, na maioria das vezes eles tomam o espaço que é do pedestre no passeio público. “Para o uso de tapumes é preciso autorização da Seplan”, afirma.