Hoje, um menino que voa, amanhã, um bravo leão ou uma árvore falante do bosque. No teatro é assim: você pode ser o que quiser e a cada peça se torna um personagem novo e diferente.
Duvida? Pois a galerinha do curso de teatro infantil do Centro Cultural Carlos Fernandes de Paiva já encenou duas peças este ano, “O Rei Leão” e “Peter Pan”, e já se prepara para a próxima: “Alice no País das Maravilhas”.
Lidiane Lunardelli é a professora deles. Ela afirma que seus alunos são profissionais de verdade e fazem tudo com muito carinho. “Eles adoram os ensaios e chegam aqui dizendo que querem fazer teatro de verdade, ou seja, com estréia, platéia e muita ação”, conta.
Ação é a palavra de ordem para essa turma animada, que não pára um minuto. Eles se aquecem, pulam, dançam, encenam... “Eles se divertem e aprendem muito”, acrescenta Lidiane, que é formada em artes cênicas e adora teatro e crianças.
Textos com fábulas, lendas e contos de fadas são as histórias que a criançada mais gosta de interpretar. Peter Pan, fada, meninos perdidos, piratas...Um a um as crianças foram aparecendo para o ensaio e, logo, todo o elenco de “Peter Pan” estava formado.
“Faço teatro há um ano e meio. O que mais gosto é poder cantar e fazer improvisações quando estou no palco. Ser atriz para mim é um sonho, um prazer”, diz Giulia Andrade, 11 anos, que em “Peter Pan” interpretou a mãe de Wendy.
O mesmo prazer é sentido pelo ‘pirata’ Lucas Colombine, 15 anos, e Felipe Natanael, 10 anos, que interpreta Peter Pan. Os meninos ensaiam com alegria e se divertem vestidos como os personagens.
Enquanto para uns a matrícula no teatro é feita pelo sonho de ser ator e atriz, para outros é pura diversão.
Marcos Vítor tem 14 anos e há dois participa de aulas de teatro. “Gosto de interpretar, mas o que me atrai nas aulas é a oportunidade de conhecer novos amigos. Além disso, como o teatro exige atenção e concentração, sinto que levo isso para outros momentos da vida, como a escola, por exemplo”, completa.
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Mais benefícios
Além de divertidas, as aulas de teatro proporcionam concentração, ajudam a falar e a se expressar melhor, além de ser um ótimo momento de socialização, ou seja, de conviver com outras crianças.
Ao praticar os exercícios das aulas, pouco a pouco a timidez vai sendo deixada de lado. “O teatro acaba sendo uma opção de atividade física também, já que alongamos e nos aquecemos com bolas todas as aulas”, completa Lidiane Lunardelli, professora de teatro do Centro Cultural Carlos Fernandes de Paiva, ligado à Secretaria Municipal de Cultura de Bauru.
• Serviço
O Centro Cultural Carlos Fernandes de Paiva abre vagas para as turmas de teatro infantil nos meses de janeiro e julho. Para saber como garantir a sua, basta ligar no telefone (14) 3235-1193 e pedir mais informações.
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Atividade não deve virar obrigação, diz professora
Quando a criança escolhe a atividade ou curso que mais lhe atrai, como uma modalidade esportiva ou artística, por exemplo, ela tem mais chances de se sair bem e sentir prazer com o que faz, e com o teatro é a mesma coisa.
Lidiane Lunardelli, professora de teatro no Centro Cultural Carlos Fernandes de Paiva, diz que muitas crianças vão para as aulas obrigadas pelos pais. “Percebemos o pouco interesse de alguns alunos e conversamos com os pais. Quando obrigados, os pequenos não se dedicam e acabam não se divertindo com as aulas de teatro”, afirma.
Depois dos primeiros contatos com o teatro, em alguns casos a criança acaba tomando gosto pela arte e sente prazer com as aulas. Dona Dulce Tebaldi Turato é avó de Douglas Godói Turato, 10 anos, e bisavó de Leonardo Turato, 7 anos. Os meninos foram matriculados no curso de teatro do Centro Cultural pelas mães, e não por opção. “Mas depois gostaram e se entusiasmam sempre que vão apresentar peças”, diz a vovó.
Já Alicia Aparecida Balduíno, 11 anos, teve a oportunidade de optar pelo teatro há dois anos e meio. “Eu mesma escolhi o curso porque minha intenção é aprender a interpretar, já que quero trabalhar na televisão”, sonha a menina.
Como Alicia, o importante mesmo é gostar da atividade escolhida, seja teatro ou outra qualquer. Uma boa dica é conversar com os pais e, juntos, saberem mais sobre o assunto. Assim, não se erra na escolha, aprende-se e se diverte de montão!
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Origem do teatro
Antes havia o teatro primitivo, que surgiu a partir do desenvolvimento e das necessidades do homem e era composto por danças que celebravam, lamentavam ou agradeciam tudo o acontecia no dia das pessoas. Com o tempo, o homem passou a realizar rituais sagrados na tentativa de acalmar a natureza.
Mas foi no século 7, na Grécia, que surgiram os primeiros textos teatrais encenados nas ruas. Depois veio a necessidade de haver lugares próprios para a arte, os primeiros teatros. Os gregos também realizavam festas e procissões em homenagem ao deus do vinho, Dionísio, para agradecer pelas colheitas de uvas.
Nas procissões, os participantes cantavam, dançavam e apresentavam diversas cenas das “artes” de Dionísio. Foi numa dessas procissões, e com o uso de máscaras, que um homem inovou ao subir em um tablado e ao se passar por Dionísio, fingindo que o espírito dele estava em seu corpo. O nome desse homem era Téspis e ele se tornou o primeiro ator grego.
No Brasil, o teatro surgiu no século 16, para propagar a fé religiosa. Dentre uns poucos autores, destacou-se o padre José de Anchieta, que escreveu alguns autos, antiga composição teatral que visava catequizar os indígenas e promover a comunicação entre portugueses, índios e espanhóis.