Internacional

Ataques deixam 31 mortos Paquistão

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Lahore - Ataques em série aparentemente coordenados na cidade paquistanesa de Lahore e a detonação de dois carros-bombas na região da fronteira afegã deixaram ontem ao menos 31 mortos, elevando a 140 as vítimas de grandes ações terroristas no Paquistão em apenas dez dias.

A nova onda de terror sinaliza não apenas uma contraofensiva aos recuos impostos por Islamabad aos insurgentes -em geral ligados ao Taleban- desde abril, mas também a entrada em ação de células terroristas na Província do Punjab (leste), a mais rica e influente do país.

Sucede ainda as recentes ameaças do grupo radical islâmico de contra-atacar o governo pela perda de controle sobre a região do vale do Swat -bastião insurgente usado de base para ataques às forças ocidentais no Afeganistão- e a morte do seu líder, Baitullah Mehsud, em ação dos EUA em agosto.

No primeiro dos ataques em Lahore -capital do Punjab e segunda maior cidade do Paquistão-, um homem invadiu prédio do equivalente à Polícia Federal do país e começou a disparar. Quatro pessoas morreram, além do insurgente.

Horas depois, entre três e quatro terroristas invadiram um centro de treinamento, matando 11 policiais antes de serem mortos. Na terceira ação, quatro insurgentes atacaram outro centro de treinamento, matando um oficial e um civil - eles também foram mortos.

Segundo o secretário provincial da Justiça, nos três casos os terroristas carregavam frutas secas, em indicativo de que pretendiam tomar os locais. No último sábado, ataque a um quartel do Exército em Rawalpindi demorou mais de 20 horas para ser debelado por ação militar. Na região de fronteira com o Afeganistão, um carro-bomba em Kohat matou 11 pessoas, e outro, em Peshawar, deixou uma criança de seis anos morta.

O presidente Asif Ali Zardari reiterou que a onda de ataques não deterá a ofensiva contra o Taleban. Para o ministro do Interior, Rehman Malik, “o inimigo iniciou guerra de guerrilha”.

Ajuda de Obama

Também ontem, o presidente dos EUA, Barack Obama, assinou lei que prevê ajuda anual de US$ 1,5 bilhão pelos próximos cinco anos ao Paquistão. O texto gerou polêmica entre militares paquistaneses por supostamente representar ingerência ao impor uma série de condições para os repasses.

A Casa Branca pressiona Islamabad para conter a ação no Afeganistão do Taleban a partir do seu território. Para o Departamento de Estado, os ataques de hoje são uma “lembrança” de que o extremismo ainda é uma ameaça para o Paquistão.

Comentários

Comentários