Cultura

O som dos trilhos

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 3 min

Ao som de sua viola, Levi Ramiro propõe uma viagem pelos trilhos que marcaram a colonização da região Noroeste do Estado de São Paulo. Em novo CD instrumental, o músico e artesão toca inspirado em temas como a construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) e o conseqüente genocídio dos indígenas Kaingang, ou Coroados.

Ainda sem data prevista para lançamento, “Trilha dos Coroados” é o quinto disco da carreira do compositor e traz 12 faixas, todas de autoria de Ramiro. “O CD tenta retratar a atmosfera dos acontecimentos daquela época, que mesclam tensão e emoção”, define o músico, que há cinco anos trabalhava na elaboração do álbum. Leituras de narrativas da época e teses de historiados foram a base de pesquisa para as composições de Ramiro.

O processo de ocupação e colonização da Noroeste Paulista ficou conhecido pela grande violência que se abateu sobre os povos indígenas que habitavam a região: os Oti-Xavante e os Kaingang, que defenderam os seus territórios até onde foi possível. “A intenção não é produzir nem um estudo ou militância. Fui movido pela curiosidade mesmo. Curiosidade de saber mais sobre a história da minha região”, ressalta o violeiro, natural de Uru, pequena cidade do Interior paulista.

Entre as faixas de “Trilha dos Coroados” estão “Peabiru”, que abre o disco, “Trilha Kaingang”, “Batalha das Água”, “Trem das Mortes” e “Vozes na Estação”, entre outras. O CD incluiu ainda “sons de campo”, todos captados pelo próprio Ramiro, e conta com a participação especial de Duoportal (Gustavo Barbosa Lima e Zé Renato Gimenes) e Carlinhos Ferreira.

Neste final de semana, Ramiro participará, em Bauru, do 2.º Encontro Ferroviário e de Ferromodelismo. Entre amanhã e domingo, o público que passar pelo prédio da antiga estação ferroviária central da cidade poderá conferir uma exposição fotográfica, que traz todas as imagens produzidas para “Trilha dos Coroados”. “As fotos do encarte foram tiradas nos trilhos abrangidos pela Associação Brasileira de Preservação de Ferrovias (ABPF), no trecho entre Campinas e Jaguariúna. Têm muitas fotos de carros originais da época que faziam o trecho de Bauru”, convida. A exposição conta com o apoio do Instituto Sócio Ambiental da Noroeste Paulista.

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Trajetória

Natural de Uru, pequena cidade do Interior Paulista, hoje residente em Pirajuí, o violeiro e artesão Levi Ramiro tem sua trajetória marcada inicialmente pelo violão que o acompanhou nas primeiras composições e nos primeiros festivais.

A partir de 1995, adotou a viola como principal instrumento, absorvendo seu universo cultural que veio de encontro com suas raízes, motivo pelo qual ampliou sua produção musical, tanto na arte de tocar quanto na de fabricar o instrumento.

Tem composições gravadas nos CDs “Avarandado” (Ana Salvagni), “Razão da Raça Rústica” (Matuto Moderno), “Sentimento Matuto” (Júlio Santin), “Folias do Brasil” (Dércio Marques) e, agora, em “Trilha dos Coroados”. Levi Ramiro também ministrou várias oficinas de fabricação e toque de viola pelo Brasil, principalmente pelas Delegacias Regionais da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, destacando sua oficina “Fabricação da Viola Brasileira Feita com Cabaça”.

Em 2004, participou do primeiro Festival de Música Instrumental para Viola, promovido pela empresa Syngenta e a Direção Cultura, ficando entre os 16 finalistas.

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