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É hora de acionar o ‘relógio de verão’

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 3 min

Odiado por uns, adorado por outros. Apesar das opiniões contrárias, não adianta reclamar, pois a partir da meia-noite de hoje entra em vigor mais uma edição do horário de verão, quando os relógios devem ser adiantados em uma hora. Nas ruas, as pessoas apontam a dificuldade de adaptação como o principal fator para não gostar da mudança.

O reumatologista e especialista na área do sono José Knoplich explica que o corpo realmente demora um pouco para se adaptar, já que o relógio interno, acostumado com o dia de 24 horas, estranha quando ele tem apenas 23 horas. “O organismo tem um relógio biológico natural e, com a rotina, se acostuma a acordar naturalmente ou se preparar para dormir em determinado momento do dia. Normalmente, um adulto demora cerca de 15 dias para se adaptar”, revela Knoplich, que é membro da Associação Brasileira de Higiene do Sono.

Segundo o especialista, o ideal é atrasar o relógio antes do início do horário de verão. “Dias antes da mudança, a pessoa pode começar a dormir um pouquinho mais cedo para mudar o relógios biológico. A dica é que ela durma uma hora mais cedo e acorde uma hora mais cedo, e este tempo deve ser de sete a oito horas por noite”, revela.

“Como já não há mais tempo para isso, a pessoa precisa diminuir a intensidade das ginásticas, tanto no período da manhã quanto no da noite. Também deve evitar ingerir bebida alcoólica ou derivados de café, que desequilibram o relógio biológico”, acrescenta Knoplich.

O clínico-geral Jacob Faintuch, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP/USP), afirma que o melhor sono ocorre de duas a três horas depois de escurecer. “Para se adaptar ao novo horário, o ideal é evitar situações estimulantes no final da tarde ou na parte da noite”, afirma.

Jacob também adverte sobre discussões com o cônjuge ou olhar o extrato bancário muito perto da hora de dormir. “O horário de verão não é única instância que desequilibra o organismo. Novos turnos de trabalho ou viagens internacionais podem agir da mesma forma”, lembra.

Para a pedagoga Silmara Colombo, 29 anos, o horário de verão é bom para o lazer. “Apesar de ter que acordar mais cedo para ir trabalhar, a tarde é compensada. Quando chego em casa ainda está claro, o que é muito bom para atividades de lazer. Quando vou para a praia, então, a mudança é melhor ainda”, diz.

Já a comerciária Neide Aparecida Andrade Silva, 44 anos, aproveita para caminhar. Ela, que trabalha em horário comercial - das 9h às 18h diariamente -, é adepta da mudança. “Geralmente, quando chego em casa já está escuro. Aproveito o novo horário para caminhar, para fazer atividades que não realizo no período da noite. Tenho a impressão de que o dia rende mais”, conta.

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Luz natural

O horário de verão começa à meia-noite de hoje, quando os relógios deverão ser adiantados em uma hora. Terá duração de 126 dias, com o término à meia-noite de 20 de fevereiro de 2010.

O principal objetivo da mudança é melhorar o aproveitamento da luz natural. Com os dias mais longos, é possível reduzir o consumo de energia elétrica e diminuir a demanda no horário de pico do consumo, das 18h às 21h.

Segundo informações da assessoria de imprensa da CPFL Paulista, responsável pela distribuição de energia em Bauru, no horário de verão as cargas das residências e de iluminação pública passam a operar após as 19h, uma hora depois do habitual.

A companhia estima redução da ordem de 0,8% no consumo de energia elétrica nas 234 cidades de sua abrangência. Essa economia de consumo alcançará 70.829 Mwh, volume suficiente para atender uma cidade do porte de Bauru durante 34 dias. No período de pico, há expectativa de redução de 5,8% na demanda de energia. A medida foi adotada pela primeira vez no Brasil em 1931, mas de forma consecutiva, o horário de verão acontece há 25 anos.

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