A cidade de Barra (820 quilômetros ao norte de Salvador) na Bahia é onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu para mostrar os projetos de revitalização do rio São Francisco no início da sua viagem de três dias ao Polígono da Seca. Antes de embarcar num navio da Marinha pelo rio São Francisco, Lula concedeu entrevista quando defendeu a transposição como obra que moralmente se diz comprometido por causa de seu passado de retirante.
O presidente é de Garanhuns no interior de Pernambuco, onde ainda criança junto com os irmãos e mãe, teve que migrar para o Sudeste devido à seca.
“Me sinto moralmente comprometido com a transposição. Essa obra é uma necessidade”, afirmou o presidente. Lula admitiu que a visita à região é para mostrar a todo o Brasil que a população do Sudeste não conhece a importância da obra.
A presidência convidou 25 jornalistas, dos quais a Associação Paulista dos Jornais do (APJ), correspondentes estrangeiros, televisões, site de notícia e repórteres de revistas semanais para visitarem os canteiros de obras no Eixo Leste na última semana.
Sobre a oposição à obra do bispo de Barra, Luiz Flávio Cappio, Lula desconversou quando perguntado se tinha intenção de convencer o religioso da importância da transposição do São Francisco. “Não tenho preocupação de convencer outras pessoas. A obra já foi aprovada pelo meio ambiente e está em execução”, disse o presidente.
Para Lula, sempre há pessoas que são contra por desconhecimento da situação de como o sertanejo vive no semi-árido. “Não é apenas uma obra, mas um conjunto de investimentos como construção de cisternas, barragens e tratamento de esgoto”, explicou o presidente. O projeto é levar água à região do semi-árido para possibilitar também a irrigação da agricultura.
Caravana eleitoral
Acompanhado de Lula estavam a ministra-chefe Dilma Roussef e o deputado Ciro Gomes (PSB), dois pré-candidatos a presidente e ministros de Estado. Indagado sobre a presença dos dois possíveis candidatos, Lula disse que Ciro brigou pela implementação do projeto quando esteve à frente do Ministério da Integração Social e Dilma por ser a gestora do PAC.
De acordo com Lula, se pudesse, convidaria também o vice-presidente José Alencar, mas não foi possível levá-lo ao Nordeste devido aos problemas de saúde.
“Numa obra dessa, a gente não pensa em lançamento de candidatura, até porque a eleição está muito longe. Vim só dizer ao povo que (a transposição) vai acontecer”, disse o presidente a poucos metros do rio São Francisco.