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Fogo destrói parte do acervo de Oiticica


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Rio - Pelo menos 90% das obras do artista plástico Hélio Oiticica foram destruídas por um incêndio na noite de anteontem no primeiro andar da casa da família no Jardim Botânico, na zona sul do Rio. Lá estavam abrigadas mais de 1.000 peças do acervo do Projeto Hélio Oiticica e nada se salvou. O prejuízo é estimado em US$ 200 milhões pelo arquiteto César Oiticica, irmão do artista, que mora no segundo andar da mesma casa, e não tem seguro das obras. “Fracassei. Porque minha missão depois que me aposentei era cuidar da divulgação e da guarda da obra dele. Me sinto péssimo”, disse o irmão.

César, que se preparava para mudar para a casa ao lado na semana que vem e deixar os dois andares de sua casa atual para a obra do irmão, estava jantando com a mulher e um casal de amigos no segundo andar no momento do incêndio. “De repente, lá para às 11h ou 11h30 da noite, ouvimos um estouro. A empregada subiu correndo, dizendo que tinha fumaça. Corri para cá e já estava tudo pegando fogo”, contou.

Nenhum dos cinco presentes se feriu fisicamente. Mas a tragédia abalou emocionalmente e financeiramente a família. “O Hélio foi um dos artistas plásticos mais importantes da segunda metade do século 20”, afirmou o irmão, sem conter as lágrimas.

Nascido em 1937 e morto em 1980, Hélio Oiticica tirou a pintura do quadro para o espaço. Foi um precursores das atuais instalações, ao criar os “penetráveis”, em que as pessoas entravam nas obras, e os parangolés, “obras para se vestir e dançar dentro delas”, na descrição do irmão.

Uma das obras que se salvou foi o Penetrável Tropicália, um dos marcos do movimento Tropicalista do fim dos anos 60, que na música teve a participação de Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre outros. O original está no Centro Municipal de Arte Contemporânea Hélio Oiticica, na Praça Tiradentes, no Centro do Rio.

A secretária municipal de Turismo, Jandira Feghali, divulgou nota, dizendo que tentava levar o acervo para o centro. A nota ainda lamenta a perda da obra de um artista tão importante, pede a apuração das causas do incêndio e informa que pediu ajuda ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para a recuperação do máximo possível.

O sobrinho do artista e curador do Projeto Hélio Oiticica, César Oiticica Filho, ficou revoltado com a manifestação da secretaria de que tentava levar de volta as obras para o centro. “Seria cômico, se não fosse trágico.” O coordenador de Artes Visuais da Funarte e do Ministério da Cultura, Chico Chaves, amigo da família, disse que a Secretaria Municipal da Cultura achava muito caro conservar o acervo de Hélio Oiticica.

A família considerava mais seguro deixar as obras no primeiro andar da casa, onde havia equipamentos de controle de umidade e temperatura, do que no centro. No primeiro semestre, uma exposição do Centro Municipal foi interrompida e parte das obras foram levadas pela família para a casa. A secretaria preferia ter as obras no centro e não queria pagar pelas obras além do que já despendia com um custo alto para guardá-las.

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