São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva amenizou o tom, ao lado do colega colombiano, Álvaro Uribe, que visitou São Paulo ontem, e afirmou que o Brasil não tem motivos para ficar incomodado com o uso de bases militares daquele país pelos Estados Unidos. Por outro lado, ele voltou a cobrar que a íntegra do acordo seja apresentada.
“Uribe e (o presidente dos EUA, Barack) Obama dizem que (as bases) são para cuidar de um problema interno. O Brasil não tem por que ficar incomodado. Eu confio na palavra de Uribe”, disse Lula. “Aqui no Brasil vamos aprender um dia que, se respeitarmos a soberania de cada país, tudo vai ser melhor.”
Entretanto, o presidente disse esperar que a Colômbia exiba o conteúdo do acordo com os EUA aos parceiros da Unasul (União das Nações Sul-Americanas).
Quando assinado, o acordo permitirá aos EUA manter 1.400 pessoas, entre militares e civis, em bases colombianas, pelos próximos dez anos. Os aliados dizem que o acordo não é novo, mas uma extensão do acordo de combate ao narcotráfico e às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) chamado de Plano Colômbia.
Em agosto passado, na reunião da Unasul em Bariloche (Argentina), Lula foi bem mais rígido nas suas críticas ao plano e questionou a eficácia da via militar para combater o narcotráfico no território colombiano, evidenciando o desconforto do Brasil com a questão, principalmente após a revelação de que as aeronaves que serão usadas pelos EUA têm um alcance muito superior ao necessário para monitoramento do país.
Nos próximos dias, Uribe deverá fechar com o governo Lula um acordo de cooperação e de segurança bilateral. “Para nos ajudar mutuamente precisamos do presidente Lula e também para enfrentar o narcotráfico na Amazônia. Teremos essa integração agora”, dise Uribe.
Obama estende medidas
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prorrogou ontem por um ano as medidas especiais de “emergência nacional” contra o narcotráfico procedente da Colômbia, informou a Casa Branca.
Em mensagem dirigida ao Congresso, Obama indicou que os atos dos traficantes colombianos “continuam ameaçando a segurança nacional, a política externa e a economia dos EUA”. Segundo a Casa Branca, “causam um nível extremo de violência, corrupção e dano nos EUA e no exterior”, acrescentou.
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Colombiano pensa em 3º mandato
São Paulo - Alvaro Uribe, declarou ontem, que está “pesando” a possibilidade de concorrer a um terceiro mandato à frente de seu país, caso a Suprema Corte colombiana aprove o direito a uma nova reeleição do chefe de Estado. “A Colômbia é um país de instituições, com Justiça independente e autônoma”, assegurou Uribe.