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Polícia caça traficantes e acha armas no Rio

Folhapress
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Rio - Do arsenal da facção criminosa que derrubou sábado um helicóptero da Polícia Militar (PM), um rifle foi apreendido ontem na Baixada Fluminense. Para os investigadores, a arma pode ter sido usada no ataque ao aparelho.

O rifle estava em um matagal em Mesquita, a cerca de 15 quilômetros do local da queda. Junto a ele, havia outra arma também com capacidade para derrubar helicópteros, segundo a PM. Era um rifle ou um fuzil. A polícia ainda não havia identificado a arma, que teve os números de série raspados.

Com a morte ontem do cabo Izo Gomes Patrício, 36 anos, subiu para 21 o número de mortos desde anteontem, quando o morro dos Macacos (Vila Isabel, zona norte) foi invadido por criminosos do Comando Vermelho (CV), a partir do vizinho morro São João.

O cabo estava no helicóptero, que se incendiou. Teve 96% do corpo queimado. Os soldados Marcos Stadler Macedo e Edney Canazaro de Oliveira morreram. Os outros três PMs tripulantes ficaram feridos.

Com cerca de 2 mil policiais, a PM fez ontem operações em favelas dominadas pelo CV, como Jacarezinho, Prazeres e as de Manguinhos, em busca de armas e de traficantes que participaram do ataque.

A principal ação do dia ocorreu na favela da Chatuba, em Mesquita. Além das duas armas com capacidade para ataques antiaéreos, a PM encontrou duas espingardas, uma submetralhadora, uma granada, uma espada, oito fardas pretas parecidas com as do Bope, carregadores, munição, cocaína e maconha. Ninguém foi preso

Segundo a PM, as armas teriam sido usadas no morro São João, de onde partiram os disparos contra o helicóptero.

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Divergências

Rio - O Ministério da Justiça negou ontem versão da Secretaria de Segurança do Rio de que a ordem da invasão veio dos líderes do CV, como Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, e Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, que estão no presídio de segurança máxima de Catanduvas (PR). Segundo o ministério, os presos não têm contatos com mensageiros e não usam celulares.

O chefe da Polícia Civil do Rio. Allan Turnowski, disse que a polícia detectou as ordens e que elas poderiam ter chegado ao por meio de presos.

O governador Sergio Cabral Filho (PMDB) contestou ontem o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, o comandante da PM, coronel Mário Sérgio Duarte e Turnowski. Ele disse que as polícias não sabiam sobre o ataque do CV ao morro dos Macacos.

Anteontem, os três disseram que a invasão havia sido apurada com antecedência por setores de inteligência.

“Não temos essa informação de que a polícia sabia. Nessa hora, o que mais tem é palpiteiro. Toda hora que estressa, aparecem os urubus para gerar um clima em torno do assunto que estamos tratando com a maior seriedade e de forma despolitizada. Eu e Mariano não temos a informação de que a polícia sabia”, afirmou Cabral. Nenhum dos três dirigentes da Secretaria de Segurança quis comentar as declarações.

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Lula diz que vai limpar sujeira do tráfico

São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva empenhou-se ontem em acalmar a polêmica sobre as mortes ocorridas no Rio de Janeiro desde o último sábado, em decorrência dos confrontos ocorridos entre traficantes e policiais no Morro do Macaco. Ao lado do presidente colombiano Álvaro Uribe, em encontro organizado na Capital paulista, Lula disse que já tomou todas as providências para ajudar o governador Sérgio Cabral (PMDB) a equacionar a situação e prometeu trabalhar para “limpar a sujeira” imposta ao Brasil pelo narcotráfico.

“Estamos dispostos a fazer todo o sacrifício que for necessário para que a gente limpe a sujeira que essa gente impõe ao Brasil e ao mundo”, afirmou o presidente, confirmando que o ministro da Justiça, Tarso Genro, ofereceu ao governo do Rio reforço da Força Nacional de Segurança. Ele apontou que a ajuda, entretanto, foi declinada por Cabral.

Lula, que costuma destacar orgulhosamente os avanços do Brasil na cena internacional, queixou-se do impacto negativo que os conflitos têm na imagem do País no Exterior.

Lula confirmou que o governo federal vai providenciar a reposição do helicóptero abatido durante os confrontos. Confundindo a aeronave com um “avião”, ele esclareceu que o novo modelo será blindado, permitindo que a polícia dê continuidade ao combate ao tráfico de drogas na região.

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