Casas abandonadas, terrenos baldios e a sombra de viadutos continuam servindo como estratégicos “aparelhos” para a criminalidade. Roubos e furtos figuram entre os principais delitos envolvendo antigas construções e áreas abertas abandonadas em diferentes pontos da cidade, utilizadas como abrigos de ladrões e usuários de drogas e perfeitos esconderijos de objetos furtados ou roubados.
Apesar de um recente laudo concebido pela Polícia Militar e entregue à prefeitura, diretamente à Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), em que foram listados mais de 140 imóveis com alguma ou total situação de abandono - seja por questões estruturais, de segurança ou sanitárias -, ter resultado na notificação de proprietários por parte da prefeitura, as ocorrências em que construções e terrenos servem como abrigo e “ponte” para crimes são registradas tanto na área central, onde está a maioria dos imóveis nesta situação, quanto em outros pontos da cidade.
Entre os registros mais recentes, dois deles ocorreram entre a noite e madrugada de ontem, quando um estacionamento foi invadido no Centro e a localização de objetos roubados de uma loja do Jardim Pagani, escondidos numa moradia invadida do Núcleo Habitacional Bauru 2000.
No caso do estacionamento, bandidos teriam utilizado um terreno, atrás do estabelecimento, como via de acesso ao local onde estavam estacionados oito veículos no período noturno. Além de roubarem rodas de dois automóveis – em apenas um dos veículos, um Citroën C-4, o prejuízo estimado foi de R$ 7 mil – os criminosos ainda invadiram o escritório e furtaram um computador.
O proprietário do estabelecimento, que pediu para não ser identificado, desconfia que os ladrões fugiram quando o alarme de um dos carros disparou. Na fuga, os bandidos arrombaram o cadeado do portão da frente e deixaram para trás vestígios de que fugiram apressados, com parafusos de rodas desapertados e blocos de concreto, usados para erguer os carros já sem as rodas, espalhados. Os tijolos, desconfiam vítimas e o proprietário do estacionamento, teriam sido retirados justamente do terreno, localizado na rua Rio Branco atrás do local invadido.
Moradores de um prédio ao lado de terreno e construção abandonados, segundo eles, ambos utilizados como forma de acesso ao estacionamento, são constantemente freqüentados por marginais. “Vizinhos sempre vêem movimentação suspeita nessa área”, testemunha o representante comercial Thiago Leite da Silva, que mora num prédio ao lado e que, por pouco, também não teve as rodas de seu veículo, estacionado no mesmo local dos furtos, retiradas. “Felizmente meu carro só teve as rodas desparafusadas”, comenta, aliviado.
Horas antes, policiais militares encontraram, após recebimento de denúncia anônima, roupas e semijóias que haviam sido roubadas há quatro dias, numa loja do Jardim Pagani. Na ocasião, um homem armado com uma faca rendeu a proprietária do estabelecimento, que foi obrigada a fechar as portas da loja durante o assalto.
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Novo laudo
Mesmo com notificação dos proprietários dos imóveis, obrigados a limpar, reformar e até mesmo demolições, a PM, antecipa o capitão Renato Ramos, comandante da 1.ª Companhia em Bauru, fará um novo levantamento de construções e áreas abertas em condições de abandono.
Esse novo catálogo de imóveis com possível risco seja à saúde ou segurança da população, justifica o oficial, é necessário em virtude da atualização de informações bem como notificar proprietários que, na ocasião do primeiro levantamento, não foram identificados. “Com certeza, os imóveis abandonados contribuem, e muito, com problemas de segurança pública”, relaciona. “Não apenas casas ou terrenos baldios, mas viadutos também concentram suspeitos e criminosos”, acentua o policial.
Para o titular da Seplan, Rodrigo Riad Said, imóveis que na época das notificações estavam fora da “lista do abandono”, mudaram de situação. “É uma rotatividade muito grande”, atribui. “Mas a prefeitura tem de trabalhar nisso e estamos preocupados com essa questão”, assegura o secretário, que pede auxílio da população. “Qualquer vizinho dessas áreas pode entrar em contato com a prefeitura e denunciar que a gente fará a verificação e notificação do proprietário”, garante Said.