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Clareamentos dentários mal feitos ameaçam saúde bucal

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

As prateleiras de supermercados estão abarrotadas de cremes dentais que prometem dentes brancos em espaço recorde de tempo. Enxaguantes bucais, vários tipos de gel e métodos que garantem aquele sorriso televisivo. Porém, o risco de fazer um tratamento para clarear os dentes por conta própria é grande. Especialistas explicam que substâncias utilizadas podem provocar desde supersensibilidade até o desenvolvimento de câncer bucal.

De acordo com o professor Alberto Consolaro, da Universidade de São Paulo (USP) de Bauru, atualmente existe uma hipervalorização dos dentes brancos. “E na verdade, o tom natural dos dentes é amarelado”, explica. Mas, como existe a busca por dentição cada vez mais branca, muita gente acaba se submetendo a procedimentos não muito confiáveis. Por isso, Consolaro destaca a necessidade do especialista.

“O clareamento feito por profissionais protege a gengiva, mucosa e o esmalte dos dentes. Nos Estados Unidos, por exemplo, o clareador é considerado um medicamento. Já no Brasil, um cosmético”, ressalta o professor. Segundo Consolaro, atualmente se faz esse tipo de procedimento em larga escala no País. “E geralmente, em 90% dos casos, utilizando automedicação. Se for em longo prazo, pode acarretar sérios problemas na mucosa”, destaca.

Nem os cremes dentais que prometem esbranquiçar o sorriso são inofensivos. De acordo com o professor, que nesta semana realizou a conferência “Efeitos biológicos dos clareadores dentários e suas implicações clínicas”, essas pastas de dente também possuem concentração de substâncias que podem ser prejudiciais a longo prazo. “O câncer de boca é causado por uma somatória de fatores. O clareador é um que pode contribuir. Por isso, é necessário fazer o procedimento com dentista, que vai proteger a mucosa, a pele bucal e causar menos dano”, destaca.

Por isso, ele defende uma rigidez maior na venda de produtos que prometem clarear os dentes. “Deveria haver informações no rótulo. Ou a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) mudar o status para medicamento. Porque esses produtos são de venda fácil, mas vão acumulando ao longo dos anos”, destaca.

O dentista Walter da Silva Júnior, especialista em prótese dentária, implantes e estética, explica que cada tratamento é único. “Existem concentrações diferentes e substâncias diferentes. Por isso, os casos devem ser tratados isoladamente”, observa. “De acordo com a técnica empregada e o material utilizado, somente o dentista pode avaliar o que vai funcionar melhor para o paciente”, diz.

Acompanhamento

Outro ponto importante destacado por Silva Júnior é a necessidade de acompanhamento periódico. “Observando a evolução do tratamento, é possível verificar se existe aumento da sensibilidade. Um dos problemas é se houver raiz exposta de algum dente, o material penetra e danifica a polpa. Além disso, se o paciente engolir o produto porque não teve a explicação correta, pode ser perigoso”, enumera. Outros riscos enumerados pelo especialista é a possibilidade do dente ficar poroso e mole.

Silva Júnior também critica o consumo irrestrito de cremes dentais que prometem clarear os dentes. “Eles não podem ser utilizados de qualquer jeito, já que são mais abrasivos que os normais. Se a pessoa escova os dentes exageradamente, já que o excesso de escovação também é prejudicial, com estes cremes dentais, vai desgastar a estrutura dos dentes”, alerta.

Ele observa que freqüentemente é procurado por pessoas que tentaram algum tratamento caseiro e se arrependeram. “São pessoas que compram produtos em farmácias, ou até importados pela Internet e fazem o tratamento em casa. O procedimento pode não ser tão eficaz quanto o do consultório, ou pior, como manchar os dentes. Algumas situações são difíceis de reverter. Por isso, sempre busque um especialista”, alerta.

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