Tegucigalpa - Após dar quatro ultimatos, o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, abandonou ontem oficialmente a mesa de negociações com o governo interino em torno de sua restituição. Com o fim do diálogo, a OEA (Organização dos Estados Americanos) deve retirar hoje de Tegucigalpa a sua delegação enviada ao país para acompanhar o processo.
“O diálogo foi declarado esgotado em 15 de outubro”, disse Zelaya às 7h30 locais em entrevista à rádio Globo, a qual a reportagem acompanhou ao lado do presidente deposto, em alusão a seu primeiro ultimato - o último se esgotou à 0h de ontem.
“Hoje (ontem) é dia 23. Eles não têm a mínima vontade de resolver a crise. Não podemos ser cúmplices de todas essas chacotas contra todas entidades e personalidades do mundo”, continuou.
As duas partes não conseguiram superar o impasse em torno de que Poder deveria analisar a possibilidade de volta de Zelaya ao cargo. O presidente deposto defendia que fosse o Legislativo que o fizesse, enquanto o regime golpista insistia que o papel caberia ao Judiciário, que já declarou anteriormente que a deposição de Zelaya foi legal, pois o presidente se recusou a cumprir a ordem judicial de cancelar uma consulta popular sobre a realização de uma Assembleia Constituinte.
Na entrevista de ontem, Zelaya não respondeu às três perguntas sobre o que planeja fazer a partir de agora, incluindo se pretende deixar em breve a embaixada brasileira, onde está abrigado há 34 dias. Na terceira vez em que foi questionado, encerrou a entrevista alegando que tinha de atender a um telefonema. Não atendeu.
Proposta velha