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Jovens invadem movimento na Bovespa

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Interpretação de gráficos, oscilação de números, variáveis da economia mundial. Acompanhar o desempenho da Bolsa de Valores não é tarefa muito fácil, mas é crescente o número de jovens que investem dinheiro neste ramo, e o encaram como um verdadeiro negócio, seja para obter aumento rápido de capital ou lucro a longo prazo.

São jovens com até 30 anos de idade, normalmente homens, solteiros, sem filhos, e com um objetivo em comum: querem ganhar dinheiro rápido para realizar sonhos materiais em pouco tempo. Muitos deles chegam até a deixar o emprego para se dedicar com exclusividade às operações, como é o caso dos amigos bauruenses Fernando Krokowez, 28 anos e Murilo Prado de Mello, 30 anos.

Eles são “day traders”, perfil de investidor arrojado caracterizado pelo sujeito que compra e vende ações várias vezes ao dia, buscando vantagens nas variações dos preços dos ativos no curtíssimo prazo. E, nesta fase pós-crise, com a Bolsa de Valores subindo, muitos estão se tornando “day traders” como os dois rapazes.

Fernando era consultor de vendas e Murilo, empresário, quando desistiram de tudo para começar a operar, no ano passado. Atualmente, cada um faz planos para construir sua própria casa no prazo máximo de dois anos.

“O “day trader” obtém os maiores ganhos, mas também corre os maiores riscos. Então, para trabalhar com ações a curto prazo, é preciso dedicar 100% do seu tempo a isso, durante o horário de pregão”, ensina Fernando.

Além de dedicação, ele explica que o investimento em cursos, material de estudo e equipamentos precisa ser pesado. “Posso dizer que 80% do sucesso vem do estudo”, resume ele. Murilo, por exemplo, chegou a participar de cursos que custaram mais de R$ 3,5 mil, além de arcar com gastos com palestras e assinaturas de sites especializados.

“Sede” de trabalho

Os jovens também investiram muito em tecnologia. Na “sede” de trabalho dos investidores, um cômodo da casa de Murilo, há três notebooks, um microcomputador e um monitor de 32 polegadas, todos interligados por uma plataforma potente que não os deixa um segundo sem acesso aos números atualizados da Bolsa, em tempo real. O trabalho todo acontece via home broker, sistema oferecido pela Bolsa para negociação no mercado de capitais via internet, através de uma corretora de valores.

“Hoje, ganho quatro vezes mais do que ganhava como assalariado. E posso ganhar em um dia o que ganharia em um mês. Mas, ao mesmo tempo, também posso perder dinheiro”, frisa Fernando.

O amigo e ex-empresário Murilo também viu seus rendimentos multiplicarem com as operações na Bolsa. O interesse surgiu durante o período em que viveu nos Estados Unidos e, quando voltou a Bauru, decidiu investir no mercado.

“Nos Estados Unidos, cerca de 50% da população faz investimentos na Bolsa mas, aqui, esse índice não passa de 3%. Lá, quando os pais querem fazer um investimento para o filho pequeno, eles compram ações do Google ou da Apple. Nós ainda não temos essa cultura aqui”, compara.

Murilo começou a atuar na Bolsa com R$ 12 mil, mas o investimento inicial pode ser bem menor, cerca de R$ 200,00. O biólogo e mestrando Geraldo Marco Rosa Júnior, 24 anos, por exemplo, começou com R$ 4 mil, em conjunto com mais dois amigos.

Diferentemente de Fernando e Murilo, ele não atua como “day trader” e dedica apenas uma hora do seu dia para acompanhar a movimentação do pregão, através do home broker. Por esse motivo, prioriza as operações voltadas para ativos de longo prazo. “Também faço operações de curto prazo, mas já fiquei sem mexer em ações durante um ano. É uma opção mais interessante para quem não tem muito tempo para estudar os gráficos”, revela.

Embora ainda esteja estudando, Geraldo já paga suas contas sozinho e não vai precisar da ajuda do pai para comprar um carro, projeto que pretende realizar em breve. “Depois disso, quero terminar o mestrado, fazer um doutorado e dar aulas, mas não vou abandonar a Bolsa. Pretendo continuar conciliando as duas coisas”, conclui.

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Público ainda é minoria, mas agressivo

Dados da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) indicam que o número de jovens investidores ainda é pequeno, em torno de 5%, mas o número vem crescendo a cada ano, segundo avaliação da corretora Lúcia Maria da Silva. Ela explica que este público integra um perfil de investidor mais arrojado, autoconfiante e, por esse motivo, mais suscetível a prejuízos com operações mal sucedidas.

“Eles gostam muito do risco. O ideal seria começar com investimentos de longo prazo até ganhar alguma experiência, mas muitos preferem arriscar e acabam perdendo dinheiro. Muitos desistem, mas outros acabam aprendendo a entender o mercado e se dão bem”, observa.

De acordo com Lúcia, além do estudo, o investidor precisa contar, obrigatoriamente, com a assessoria de uma corretora de valores, através de onde ele consegue efetuar as operações, com ou sem a ajuda de agentes. Em Bauru, existem três empresas como esta que não estão vinculadas a instituições bancárias: Planner, XP Investimentos e Umuarama.

Outra dica, recomenda a corretora, é aplicar apenas o capital do qual ele não vá precisar em um curto período. “O mercado de ações é o que oferece a maior rentabilidade, mesmo durante períodos de crise. Mas ele não obedece regras que você determina”, frisa. Segundo especialistas, a regra básica é o investidor sempre pensar em quanto está disposto a perder para depois pensar em quanto quer ganhar.

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