Bagdá - Um ataque terrorista deixou ontem ao menos 147 mortos e 700 feridos em Bagdá com a explosão de dois carros-bomba carregados com cerca de 650 quilos de explosivos cada. Trata-se do maior atentado no país nos últimos dois anos. Os ataques ocorreram próximo à chamada Zona Verde, em que se encontram embaixadas e escritórios do governo - considerada uma das áreas mais seguras da cidade.
A primeira explosão veio às 10h30, na rua Haifa, do lado de fora do Ministério da Justiça. Imagens gravadas por telefone celular mostram a segunda explosão, dez minutos depois, com bolas de fogo seguidas de tiros de metralhadora.
Relatos de jornalistas no local descrevem cadáveres mutilados e restos humanos espalhados pela área. A polícia recolhia em sacos plásticos os documentos dos mortos. Carros de civis foram utilizados para transportar os feridos. Líderes iraquianos afirmaram ontem que os ataques recentes visam a desestabilizar o cenário político nos meses que antecedem as eleições parlamentares de janeiro.
As explosões ocorreram em ruas abertas há poucos meses ao tráfego de carros. Na ocasião da abertura, o premiê Nouri al Maliki havia afirmado que esse era um sinal de que a cidade estava voltando a ser calma - sua esperança para a reeleição, que agora pode estar mais distante.
O ápice da violência no país foi em 2006, ano em que 27 mil civis morreram. Em 2008, o saldo foi de 9.000 mortos, segundo a ONG Iraq Body Count.
A questão da segurança no Iraque é de extrema importância para os EUA, que pretendem manter os holofotes no combate ao terrorismo no Afeganistão e no Paquistão.
Em julho deste ano, o governo norte-americano transferiu a responsabilidade da patrulha das ruas de Bagdá ao governo iraquiano. O plano do presidente Barack Obama é retirar definitivamente as tropas dos EUA do país até o final de 2011.
Com a recente escalada da violência na região, porém - as proximidades da Zona Verde foram alvo de atentado em 19 de agosto, com saldo de 102 mortos-, fica em dúvida a capacidade do governo local de manter a segurança da cidade.
Jalal Talabani, presidente do país, também se pronunciou a respeito dos atentados. “Os perpetradores desses atos traiçoeiros e desprezíveis não estão mais escondendo seus objetivos, mas publicamente declaram estar atingindo o Estado.”
Nenhum grupo assumiu a autoria do ataque.
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Obama: bombas são inaceitáveis
Washington - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem que os ataques suicidas a bomba em Bagdá, que deixaram 132 mortos, eram “inaceitáveis” e uma tentativa de impedir o progresso do Iraque. “Esses atentados não servem a nenhum outro propósito a não ser o assassinato de homens, mulheres e crianças inocentes, e eles revelam apenas a agenda destrutiva e detestável de quem negaria ao povo iraquiano o futuro que ele merece”, disse Obama em um comunicado.
A Casa Branca informou que Obama telefonou para o premiê iraquiano, Nuri al-Maliki, e para o presidente Jalal Talabani depois dos ataques, prometendo apoio dos EUA. Obama disse que os atentados eram “ataques inaceitáveis contra o povo iraquiano”.
“Essas tentativas de impedir o progresso do Iraque não são páreo para a coragem e a resiliência do povo iraquiano, e para sua determinação em construir instituições fortes”, disse Obama.