“Acho que o Brasil precisa ter um pacto para a educação, em que os partidos políticos diferentes cheguem a um consenso em pontos que não poderiam ser mudados, independente de quem fosse o gestor. Falta maturidade na gestão da educação”, afirma o ex-secretário de Educação do Estado de São Paulo e atual vereador da Capital, Gabriel Chalita (PSB). O político esteve em Bauru ontem, onde ministrou palestra no Fórum de Educação Existencial – Reflexões sobre Ética e Competências, realizado pelo curso de pedagogia do Instituto de Ensino Superior de Bauru (Iesb/Preve). Em entrevista ao JC, ele faz uma avaliação sobre a política educacional do Estado, fala sobre sua mudança de partido político e, por fim, elogia os estudantes da cidade em que lecionou por mais de um ano.
Para Chalita, existem bons programas educacionais em todo o País, mas eles não são levados adiante com a troca das administrações. “Geralmente, tudo o que um governante está fazendo de bom é interrompido quando outro partido assume. Cada gestor educacional que chega destrói o que o seu antecessor fez para colocar sua bandeira. Não importa a idéia de uma ou outra pessoa, o Brasil precisa de uma bandeira da educação”, afirma.
Na palestra que ministrou na Associação Luso Brasileira Bauru, na noite de ontem, Chalita falou sobre as mudanças necessárias para melhorar a educação no País. No seu ponto de vista, o professor precisa perceber que o processo educativo deve ultrapassar a visão de uma educação que passa informação ao aluno, pois na sala de aula existe uma complexidade grande entre os estudantes. Fato que inviabiliza a homogeneização do processo.
“Existem várias pesquisas que mostram a dificuldade de atenção do aluno que vive em uma geração tecnológica. Nosso objetivo é trazer um pouco desta temática para envolver mais esses alunos. Propomos a problematização do processo educativo”, explica o educador. “Apontamos alternativas que ajudam na formação de uma pessoa capaz de conviver melhor com outras, respeitar o próximo e ainda ser competente”, acrescenta.
Apesar dos projetos e propostas, os professores precisam do envolvimento dos empresários da área de educação, das prefeituras e das secretarias estaduais para que saiam do papel. Chalita afirma que o primeiro passo para a mudança no sistema educacional é transformar a arquitetura da sala de aula. De acordo com o vereador, o estudante precisa trabalhar em equipe, aprender a resolver problemas e contar com a tecnologia. “Cada sala precisaria de um espaço para computadores, outro para livros, como se fosse uma pequena biblioteca dentro da sala de aula, um outro espaço com TV e DVD. Com essa mudança na estrutura, é preciso formar os educadores”, afirma. “Para que tudo isso seja colocado em prática, é preciso ajuda dos governantes. O docente precisa estar mais instrumentalizado para trabalhar com temas contemporâneos”, acrescenta Chalita.
Escola integral
Segundo o ex-secretário, a Escola em Tempo Integral ajudaria a resolver parte do problema relacionado a educação no Brasil. “A proposta foi feita enquanto eu era secretário. Inclusive deixamos um plano para que em cada semestre fosse ampliado o número de escolas em tempo integral. Mas infelizmente, o governo de José Serra (PSDB) diminuiu o índice das instituições com este programa”, critica Chalita.
Outra insatisfação do vereador é com o andamento do projeto “Escola da Família”, premiado e copiado em outros Estados. No início do programa, eram 5.400 escolas abertas com atividades educativas, esportivas e culturais aos finais de semana. Atualmente, cerca de 2 mil ainda mantém a iniciativa.
“O governo errou muito em termos educacionais e há uma linha de sempre colocar a culpa no professor, como se ele tivesse o poder de solucionar tudo e fosse culpado pelo processo educacional.”