Às 17h da segunda-feira, 19 de outubro, o Estado de São Paulo tinha exatamente 41.783.677 habitantes. A contagem, atualizada minuto a minuto, é da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados. Desse total, cerca de 4,5 milhões são pessoas com mais de 60 anos. O Seade estima que até 2020 o Estado terá 7,1 milhões idosos. Em todo o Brasil, atualmente eles somam 21 milhões de brasileiros, de acordo com o IBGE. Os índices de natalidade caem em ritmo impressionante e o crescimento já é negativo em algumas regiões, ou seja, em torno de 1,6 filho por casal. Quem quiser acompanhar os números da Seade basta acessar o site http://www.seade.gov.br/produtos/projpop/index.php.
A pergunta é inevitável: quem vai cuidar de nós (desculpem os leitores que tiverem menos de 60 anos)? Com menos nascimentos, menos crianças, menos jovens, menos casamentos estáveis, o cenário é preocupante. Poucas serão as famílias que terão estrutura para cuidar de seus “velhinhos”. E será muito difícil que em lares de apenas um filho, ou mesmo dois, haja condições de um deles estar ao lado do pai ou mãe o tempo todo. Justamente na hora de receber um “obrigado” e uma boa dose de “carinho” por tudo o que fizeram ao longo da vida, pais e mães correm o risco de ficar sem o mínimo de assistência ou então de serem enviados a um asilo (nos casos em que as condições econômicas permitirem).
O conselho para os que hoje ainda estão trabalhando é óbvio: façam uma poupança especial para garantir o próprio sustento e bem-estar na velhice, em condições de pagar um bom plano de saúde, um bom asilo ou de contratar acompanhantes e enfermeiras no caso de permanência na própria casa. Fica cada vez mais difícil deixar essa tarefa para os filhos (ou filho único), às voltas com seus próprios compromissos de trabalho e familiares.
Para esticar a própria independência, é fundamental cuidar da saúde desde a juventude. Felizes os casais que podem desfrutar de um período de 10, 15 ou 20 anos de sobrevida após a aposentadoria, sem depender de assistência direta e médica em tempo integral. E o cuidado com a saúde depende mais de boa vontade, de esforço próprio, do que de condições econômicas. Não é preciso ter dinheiro para deixar de beber, de fumar e para praticar exercícios físicos, incluindo as caminhadas matinais e do final da tarde.
O bem-estar na velhice é um desafio constante, que se constrói ao longo da vida profissional, muito antes da aposentadoria. E não adianta ficar à espera de benesses do governo, como assistência médica de qualidade e uma aposentadoria digna (privilégios de uma parcela ínfima de nossos idosos).
As autoridades públicas, nas três esferas de governo, pouco estão fazendo para construir uma infra-estrutura capaz de absorver essa população acima de 60 anos. Aqui e ali pipocam algumas iniciativas como o Futuridade, programa paulista que inclui campanhas educativas sobre envelhecimento, ampliação de ações e serviços e formação de profissionais para lidar com os idosos. A Capital, pelo menos, conta com dois centros de Referência do Idoso, onde são feitos 12 mil atendimentos por mês. Outras iniciativas pipocam em igrejas e entidades assistenciais, em especial com a organização de grupos de voluntários para fazer visitas e companhia a idosos doentes e solitários.
No Congresso, tramitam projetos que visam a aumentar o valor das aposentadorias, seja para quem vai se aposentar como para quem luta para manter o poder de compra de seus benefícios. Aí se encaixam os projetos sobre o fim do malfadado “fator previdenciário” (mecanismo que achata mais a aposentadoria na medida em que aumenta a expectativa de vida) e sobre a obrigatoriedade de reajuste do salário de aposentados e pensionistas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor, mais o percentual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
Para os que não pensaram em fazer seu “pé-de-meia” ou não tiveram condições para isso, a aposentadoria é a única fonte de renda. Que ela seja cada vez mais “justa” e capaz de proporcionar uma vida digna à terceira idade.
O autor, Milton Dallari, é conselheiro da Associação dos Aposentados da Fundação Cesp e diretor administrativo e financeiro do Sebrae-SP