O tabuleiro está sendo montado e várias pedras já estão dispostas sobre ele. Aos poucos, os pretendentes à cadeira da Presidência da República vão colocando suas cabeças fora da janela e procurando ver como se comportam as pesquisas eleitorais. Isto é apenas o começo do jogo. Um jogo que vai determinar o futuro do País e de seu povo. Em uma primeira análise dos pretendentes já dispostos no tabuleiro, e de acordo com as sondagens efetuadas pelos institutos do ramo, o governador de São Paulo, José Serra, leva ampla vantagem sobre os demais. Mas todos sabem que no decorrer do jogo muita coisa pode acontecer. Cada eleição é uma eleição.
Quem nos garante que todos os pretendentes hoje dispostos nesse xadrez serão realmente candidatos? Alguns se apresentam como se estivessem disputando a maratona olímpica, fazendo hoje o papel do coelho. Aquele que dispara na frente, com a finalidade de forçar os demais a acompanhá-lo e melhorar seus tempos. Temos hoje nesse jogo pelo menos seis pedras ocupando o tabuleiro. Todos serão realmente candidatos? Claro que teremos coadjuvantes, aqueles que apenas participam e são sabedores de que suas chances são iguais a do Santos Futebol Clube ser campeão do atual Brasileirão. Falo sobre o Santos com a maior tristeza.
O Brasil de hoje vive envolto nos sonhos de se tornar uma nação auto-suficiente em petróleo, e para alguns mais afoitos, as reservas do pré-sal nos salvarão do mármore do inferno. E dentro dessa análise já gastam por conta, com a realização da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. A América Latina como um todo vive as apreensões de conflitos armados entre alguns países. Alguns líderes mais afoitos entendem que sufocar idéias e trazer seus povos nas rédeas curtas de um governo antidemocrático é a solução mais fácil e eficiente. Talvez esqueçam um velho provérbio zenbudista de “que toda facilidade traz dificuldades e toda dificuldade traz facilidades”. Hitler também tentou dominar a Europa. E em meio a esse mercantilismo dito ideológico o Brasil navega com uma diplomacia pouco eficiente, e nem sempre em defesa dos interesses, da soberania e da independência do nosso País. É só verificar os episódios em que fomos envolvidos pelos governos do Equador, Paraguai e Bolívia, e agora, mais recentemente, o de Honduras. Nem ouso falar do que está ocorrendo na Amazônia.
Se for vero que fomos apanhados de surpresa com a presença do senhor Zelaya em nossa Embaixada, por outro fica muito claro que a nossa diplomacia caiu na rede armada pelo senhor Chaves. Para um país que pretende ingressar no primeiro mundo, uma das principais tarefas do próximo ocupante do Palácio do Planalto será rever essa diplomacia. O Brasil não pode ficar ao sabor de interesses que não sejam aqueles, que contemplam a sua sociedade.
O autor, Carlos Pinto, é jornalista e colaborador de Opinião