Bairros

Calçada da Pedro de Toledo se transforma em armadilha

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Caminhar pelas calçadas de Bauru não se resume apenas a “aventura” de ziguezaguear no desvio de obstáculos. É perigo latente e constante. Além dos comuns desníveis e pequenos buracos que incomodam transeuntes, alguns trechos do passeio público na cidade abrigam verdadeiras armadilhas que, caso o pedestre não esteja atento, uma simples caminhada pode se transformar numa “visita” ao Pronto Socorro.

É o que ocorre na calçada entre o antigo prédio da estação ferroviária central e o viaduto Antônio Eufrásio de Toledo. Em quase toda a sua extensão, ao lado da avenida Pedro de Toledo, a calçada apresenta uma infinidade de irregularidades que já causaram acidentes e obrigam os pedestres a vigiar os passos, para não tropeçar em degraus ou cair em verdadeiras crateras.

“Já vi muita gente cair e se machucar por aqui”, testemunha o ferroviário aposentado Adelmo Veloso, que, diariamente, caminha pelo local. Aos 82 anos, ele esbanja disposição para caminhar, quase que diariamente, entre a Vila Falcão, onde mora, até a região central. O que atrapalha mesmo, lamenta, é a precariedade da calçada.

Espremido numa “ilha” de pavimento entre o ponto de ônibus e um buraco, onde cabe perfeitamente uma pessoa, sobre um barranco de aproximadamente 10 metros que separa o resto de calçada e a área ocupada por galpões da ferrovia. “É um perigo tremendo”, observa.

Para evitar os obstáculos da calçada, testemunha o pedestre, muitos optam por cortar caminho pela estrada de ferro e ficam expostos a outros riscos. “Pessoas com crianças no colo se arriscam atravessando entre os vagões”, narra o aposentado. “Aqui está completamente abandonado”, lamenta.

“Já entortei muito o pé aqui, após tropeçar nas árvores”, reclama a aposentada Marilu da Cunha, que diz ter sofrido diversos acidentes no trajeto que percorre habitualmente a pé entre a Vila Falcão e o calçadão da Batista de Carvalho. “Faz muitos anos que isso aqui está desse jeito, mas agora está ainda pior”, acrescenta.

Tampa de bueiro entreaberta, raízes de árvores que avançam sobre o pavimento irregular, ao lado de cercas arrebentadas próximas ao perigoso barranco fazem com que pedestres pensem em outras alternativas, ao invés das tão recomendadas caminhadas. “Sou motorista, ciclista e pedestre. Quem anda a pé tem razão de reclamar, é o mais prejudicado”, constata o também ferroviário aposentado Antônio Ricci, de 74 anos.

Responsabilidade

Apesar da malha ferroviária e composições estarem sob concessão da América Latina Logística (ALL), a empresa, por meio de sua assessoria de imprensa, informa que adquiriu direito e responsabilidade apenas sobre as ditas instalações operacionais. A calçada ao lado da Pedro de Toledo, bem como o prédio da antiga estação estão, de acordo com a ALL, sob alçada do Sindicato dos Ferroviários, como parte do antigo espólio da extinta Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA).

Por outro lado, o sindicato alega que o passeio público não está sob sua alçada. Um trecho do pavimento (entre a estação e semáforo com a rua Sete de Setembro), de acordo com o presidente da entidade e vereador Roque Ferreira (PT), estaria a cargo do grupo Marka, que, de acordo com ele, já estaria comprometido em recuperar parte do passeio público. O restante da calçada continuaria sob propriedade da União, como parte do antigo patrimônio da RFFSA. “Já os gradis danificados do viaduto são de atribuição do município”, aponta o parlamentar.

A prefeitura, por sua vez, encaminhou, por intermédio da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), um projeto de lei à Câmara Municipal que dispõe sobre regulamentação de regras sobre passeio público. A proposta, que estava na pauta da sessão ordinária de segunda-feira, teve apreciação postergada, em virtude de emendas propostas tanto pelo Executivo quanto vereadores. “É um projeto complexo e que mexerá muito com a vida da cidade”, considera Ferreira. “É preciso uma análise cuidadosa e que (após eventual aprovação) as normas sejam efetivamente cumpridas”, salienta.

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