Na sexta-feira 30 de outubro, o deputado federal Antonio Palocci apresentou relatório para que se crie um Fundo Social com o dinheiro do Pré-sal, em debate realizado pelo Instituto Ethos, em São Paulo. Até aí, nada demais. Pelo contrário: é uma causa plausível já que Palocci está preocupado com o destino e a correta aplicação dessa grana... Antes fosse essa preocupação. Palocci está preocupado mesmo com o fisco brasileiro, com as taxas cambiais, ou seja, nas entrelinhas ele deixou claro que, no Brasil, boa parte desse dinheiro possa sumir por conta do próprio país. Palocci disse que a destinação desse dinheiro tenha como objetivo o longo prazo e que parte dos depósitos seja feito no exterior para se evitar prejuízos de curto prazo – fiscais, cambiais e ambientais. Que beleza!
Vamos depositar os milhões do pré-sal em algum paraíso fiscal e nunca mais iremos ver esse dinheiro. Quem irá fiscalizar? Quem será o responsável? Está certo que, nesse caso, pelo menos aparentemente, o dinheiro que será enviado pro exterior será de conhecimento público. Mas lembre-se: não é todo o dinheiro que irá pra lá. Palocci defende apenas que parte dele seja transferido. Que coisa curiosa, não? Palocci, que foi afastado do governo por bisbilhotar conta alheia, além dos processos de má administração pública em Ribeirão Preto, agora é relator do projeto de lei que cria o Fundo Social para definir o destino do dinheiro. Simplesmente apagaram o passado, vivem o presente e já se preparam pro futuro. Como se nada tivesse acontecido.
O autor, Hans Misfeldt, 21 anos, é estudante de jornalismo em São Paulo e criador do site Tutube.com.br