O vereador Marcelo Borges (PSDB) avalia que a Câmara deve acompanhar tudo atentamente. “É normal que isso repercuta na sessão. É um fato lamentável que aconteceu na cidade. Saúde é uma questão prioritária e os vereadores sentarão para definir o que será feito”, diz. “O que os vereadores decidirem, sou favorável. Mas o caso já está em esfera judicial e é o Ministério Público Federal quem tem instrumentos para essa investigação”, observa.
Porém, ele destaca que o modelo de gestão das unidades devem ser revistos. “O caso me reforça uma opinião pessoal que é ruim para toda entidade, associação, organização não governamental ou sindicato manter a mesma liderança por anos. A alternância de poder é importante para que a pessoa que está no comando não comece a confundir a entidade como sendo algo seu e passe a se comportar como um ditador”, ressalta.
Fernando Mariano (PDT) adiantou que falará sobre o caso na tribuna da Câmara. “Pretendo discutir esse assunto. Saúde é um tema sempre discutido pelos vereadores. E nós, que estamos aqui representando a população, vamos debater isso”, afirma. “O caso já está com a Justiça Federal. Agora, a Câmara vai ficar de olho aberto para que nada passe em branco. Nesse aspecto, se tiver que sair alguma comissão para averiguar, não há problema”, diz.
Carlão do Gás (PR) lamenta mais um fato negativo na cidade. “Com certeza terá repercussão na Câmara. E nesse caso, quem sofre é o munícipe, que precisa do atendimento adequado em saúde”, diz. “Mais uma vez, Bauru virou notícia nacional com atos de corrupção dessa monta”, avalia. “Foi muito grave o que aconteceu”, enfatiza.
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Entenda o caso
No dia 29 de outubro, 60 homens da Polícia Federal desencadearam a Operação Odontoma para apurar irregularidades na Associação Hospitalar de Bauru (AHB). Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão temporária. Foram presos Joseph Saab, presidente da associação há 14 anos; Marcelo Saab, dentista e filho do presidente; Vladmir Scarpp, superintendente e diretor financeiro; Samuel Fortunato, diretor técnico e responsável pelo setor de compras; Célio Parisi, conselheiro; e Maria Lúcia Lopes Saab, supervisora de serviço de apoio. Todos os acusados presos foram libertados na tarde do dia 30.
A operação tem como objetivo investigar irregularidades envolvendo a destinação de R$ 16 milhões obtidos em empréstimo junto à Caixa Econômica Federal, origem de honorários pagos aos cirurgiões dentistas da equipe de bucomaxilo, aquisição de insumos, equipamentos e medicamentos e a compra e utilização de materiais cirúrgicos na AHB.
A diretoria é investigada desde fevereiro por desvio de verbas, superfaturamento e cobranças indevidas de serviços. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público Estadual também participou das apurações.