Bairros

PM e Civil querem terreno do Cadeião

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 4 min

O terreno onde hoje está localizado o prédio da antiga Cadeia Pública de Bauru, desativada desde 2003, poderá abrigar sedes das polícias Militar e Civil da cidade. A intenção é criar instalações separadas no terreno da quadra 1 da rua Enéas Carvalho de Aguiar, nas proximidades do Terminal Rodoviário, para o 2º Distrito Policial (DP) e 4ª Companhia da Polícia Militar.

O tenente-coronel Benedito Roberto Meira, comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI), explica que tanto a Polícia Militar quanto a Civil não tem instalações próprias na região. O 2º DP atua em um prédio alugado, e a 4ª Cia ocupa provisoriamente a sede de uma base da PM.

“O objetivo da Secretaria de Segurança Pública hoje é conciliar a mesma área territorial de um distrito com a área de uma companhia. Ali as polícias não têm sede própria. Por se tratar de um terreno que já pertence ao Estado e considerando que trata-se de um local estratégico, de fácil acesso e tem uma grande movimentação, nós chegamos à conclusão que o local é extremamente adequado e vai atender os interesses de ambas as instituições”, afirma Meira.

Benedito Antonio Valencise, delegado seccional de Bauru, acredita que a proximidade entre as duas polícias traria benefícios. “Haveria o melhor aproveitamento das forças, facilidade, reforço do compromisso que tanto do distrito quanto da base em relação a área de atuação. Proporciona também melhor relacionamento entre os policiais. Fica mais fácil, às vezes o delegado tem um problema precisa de apoio da PM ou a PM precisa de apoio da delegacia e vão estar ao lado”, comenta.

Outro benefício trazido pela revitalização da área seria a diminuição da violência na região, pois o imóvel abandonado há seis anos serve de abrigo para diversos transeuntes. “Ali é um dos imóveis da região central que é um gerador de violência porque está abandonado, abrigando desocupados, viciados e não deixa de ser um problema para a comunidade da região. Quando você recupera e tira o foco gerador de violência, você elimina o problema”, diz Meira.

No entanto, o projeto ainda está em fase “embrionária”, segundo Valencise. O prédio, que pertence à Secretaria de Estado da Segurança Pública, foi cedido para a construção de uma nova sede de Instituto Médico Legal, que atualmente funciona em um prédio menor ao lado do Cadeião. No entanto, desde 2007, nenhuma reforma foi feita na antiga cadeia.

Para que o projeto das polícias possa ser realizado é necessário que o IML abra mão do prédio. “É um pensamento inicial ainda porque o prédio está sob responsabilidade do IML. Nós oficiamos lá para saber o que pretendem fazer ou não no local. Caso não exista interesse de utilizar o espaço, eu e o tenente-coronel Meira vamos nos manifestar e solicitar o pedido para a administração geral em São Paulo”, explica.

Sendo assim, ainda não há nenhum tipo de previsão para obras ou sequer um projeto elaborado para os prédios que seriam construídos no local. “Primeiro o IML tem que falar que não tem interesse em aproveitar a área. Como o IML está subordinado à Polícia Científica, o terreno já pertence à Secretaria de Segurança. Só depois disso o projeto será elaborado, encaminhado para São Paulo para que seja liberado o recurso para a construção”, ressalta Meira.

Tanto Valencise quanto Meira salientam que o antigo prédio não seria restaurado. A intenção é demolir a estrutura, que apresenta diversas avarias, e construir um novo edifício.

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Prédio poderia abrigar IML

Outra finalidade para o prédio da Cadeia Pública de Bauru, abandonado desde 2003, seria a instalação do Instituto Médico Legal (IML) no local. A proposta é cogitada desde 2007, mas até agora nenhum tipo de reforma foi realizada no local. Segundo matéria publicada pelo JC no dia 24 de junho deste ano, estaria em curso a licitação para escolha da empresa responsável por reformar o imóvel. A obra estava estimada na época em R$ 400 mil e, após a liberação, levaria cinco meses para ser executada. Mas a licitação não ocorreu.

O atual diretor do IML de Bauru, Alberto Briani, afirmou que não há nada certo em relação à cadeia. “Ela não pertence ao IML, o prédio foi cedido provisoriamente se o IML se interessasse em ampliar na época em que o Dr. Ivan (Segura) era o chefe do instituto. Como eu assumi a diretoria agora, vou fazer o despacho para o doutor Valencise, mas eu dependo de uma série de outros fatores porque para nós interessa, mas nós não temos dinheiro.”

Quanto a licitação divulgada em junho, Briani acrescentou que não tinha informações a respeito. “Não tenho nenhuma verba. Não sei como a licitação acabou e hoje não existe essa verba”, diz.

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História

Depois de abrigar presos de Bauru e região por mais de 50 anos, a Cadeia Pública de Bauru foi desativada em junho de 2003, época em que o Centro de Detenção Provisória (CDP) foi inaugurado. Velho, com vazamentos e infiltrações, o prédio chegou a ser reinaugurado em setembro de 1986, anos após a maior rebelião registrada na casa, em 1981.

A superlotação e as constantes depredações fragilizaram suas estruturas. O preso mais conhecido do local foi o ex-prefeito Antônio Izzo Filho. Por quatro anos, ele ocupou uma cela especial. Depois de desativado, várias destinações foram cogitadas para o prédio. Ele seria transformado, por exemplo, num complexo de polícia especializada ou numa delegacia participativa.

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