Esta tribuna publicou neste domingo carta de um grupo de defensores do MST dos quais quero democraticamente discordar pelos seguintes motivos:
Primeiro: a área da Cutrale, que o movimento sem-terra invadiu recentemente em Borebi, visivelmente está entre as mais produtivas do País, o que desmonta o argumento de destiná-la a reforma agrária. E se existe uma questão de título, o caminho em um regime democrático é a Justiça. Ademais, ainda confundem esta empresa chamada de multinacional, quando ela é uma empresa genuinamente brasileira que opera em outros países, trazendo recursos e divisas ao País.
Segundo: as imagens gravadas pela PM mostram sem-terra destruindo pés de laranja e fotos dos danos a tratores, o que não faz parte de nenhum tipo de protesto, mas tem nome e tipificação no código penal. E o nome é vandalismo, e isto é crime. E o argumento que a derrubada era produzir alimentos é estranha, até porque a laranja é um alimento e dos mais importantes.
Terceiro: em vários episódios vimos sem- terra armados e atos de violência depois justificados pela violência dos proprietários da terra. No entanto, tem muita diferença legal e moralmente a violência aplicada por invasores e por pessoas que estavam defendendo suas casas e suas propriedades.
Quarto: o governo federal atual é petista e favorável aos sem-terra. Se isto é verdade, por que então ainda é necessário “chamar a atenção com invasões” mesmo estando no poder? Isto é tacitamente admitir que o governo de seu partido não adotou as medidas que preconizava para o campo.
Quinto: é público e notório o financiamento indireto (por ONGs) dos chamados movimentos sociais como os sem-terra, ou seja, o recrutamento, transporte e alimentação dos sem-terra é feito com dinheiro público, inclusive para subverter a ordem pública e a lei.
Sexto: quanto à produtividade dos assentamentos, eu já tive a oportunidade de visitar vários e concordo, pelo que vi, que é baixa e insuficiente para que seja sustentável para a família de assentados, ou seja, o modelo pregado pelo MST é anacrônico e torna a terra menos produtiva, e ademais, o agronegócio no modelo atual sustenta a economia. É verdade que existe grande produtividade em pequenas propriedades, mas se pesquisarmos que são famílias de agricultores com know how na produção da terra e não resultado de assentamentos, estes sim são pífios.
Sétimo: os participantes de movimentos sem- terra de hoje não são mais camponeses como eram no século passado, mas sim moradores das cidades que nada sabem sobre o manejo rural e vêem na terra uma oportunidade para vendê-la e fazer capital e raramente de produzir.
Oitavo: as lideranças de sem-terra eram e ainda são pessoas que com seu radicalismo pouco contribuem para a solução do problema agrário de forma pratica e sim querem perseguir apenas seus objetivos políticos ou ainda como Rainha ficam a margem da lei e constantemente na lista de procurados pela Justiça.
O episódio de Borebi demonstra com riqueza de fotos e vídeos a ação dos sem-terra e contra fatos como estes não há argumentos e são divisores de água demonstrando com imagens a sociedade no que se constituíram hoje este movimento, principalmente quando utilizando a chapa branca e a histórica impunidade para seus atos.
Márcio M. Carvalho