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Com o calor intenso, população cria formas para dormir melhor

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 4 min

Com a temperatura atingindo 35,5 graus e batendo recordes de calor em Bauru nos últimos dias, dormir se tornou uma tarefa cada vez mais difícil. O desconforto térmico na hora de ir para cama tem feito a população buscar alternativas para “driblar o termômetro”. Alguns tomam água gelada, outros enchem a casa de ventiladores e ainda há aqueles que preferem dar um mergulho na piscina para se refrescar antes de deitar.

A dona de casa Maria de Fátima Pascoal é adepta dos ventiladores. Ontem ela foi até o comércio da área central para comprar o quinto aparelho para sua casa. “Está muito quente. Fica ruim para dormir. A noite eu coloco uma vasilha com água no quarto e ligo o ventilador. Aliás, tenho um ventilador em cada canto da casa, nos quartos, na sala, na cozinha”, diz.

A estudante Francine de Paula Machado faz todo um ritual antes de deitar em sua cama. “Eu tomo um banho, passo um pano no chão para tirar o pó e facilitar a respiração, e depois ligo o ventilador um pouco longe da cama”, conta.

As bebidas geladas também estão na lista da população quando o assunto é combater as altas temperaturas. “Eu bebo bastante gelado, água, refrigerante antes de dormir”, declara o professor de dança Krisler Martins dos Santos.

Há ainda quem parta para alternativas mais radicais. A aposentada Cleide Adorno decidiu comprar uma piscina de plástico para se refrescar durante os dias e antes de dormir. “Eu procuro deixar a casa aberta para ventilar, mas hoje (ontem) vim comprar uma piscina. Pode ser que entrar na água antes de dormir ajude”, espera.

Carlos Henrique Martins, otorrinolaringologista especialista no estudo do sono, explica que um ambiente fresco é tão importante quanto as demais condições de conforto na hora de dormir.

“A questão da temperatura está ligada ao conforto de dormir assim como uma cama boa, um bom travesseiro e o silêncio. A gente precisa de um lugar escuro e confortavelmente fresco em relação a temperatura ambiente. A medida em que o calor aumenta essa situação complica”, explica.

Segundo ele, algumas estratégias utilizadas pela população são muito pouco eficientes. “Usar bacia com água no quarto não é muito eficaz porque a quantidade de água que evapora a noite é insignificante”, afirma. “Tomar água gelada e banho frio é uma coisa momentânea. A pessoa fica mais refrescada por pouco tempo”, acrescenta.

O ideal, segundo o especialista, é dormir com roupas leves e usar e abusar dos ventiladores e condicionadores de ar. Ele ressalta que, ao contrário do que muita gente pensa, o uso diário destes aparelhos não acarreta prejuízos para a saúde.

“O ventilador não prejudica (a saúde). O ar condicionado tira a umidade do ar, então, se a pessoa tiver algum problema alérgico ou de rinite, pode incomodar. Deve se ter um bom senso. Nesses casos, as pessoas podem fazer limpeza nasal com soro, que a ajuda a controlar essa situação”, orienta.

Uma última dica do otorrinolaringologista para quem não se sente bem dormindo com o ar condicionado ligado durante toda a noite é ativar o aparelho meia hora antes de deitar. “Assim, quando a pessoa for dormir, pode desligá-lo e o ambiente permanece fresco por tempo suficiente até ela pegar no sono. Ela também pode programar para o aparelho desligar sozinho no meio da noite”, sugere.

Mais calor

Segundo as previsões do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o calor deve continuar nos próximos dias com mínimas de 18 graus e máximas de 28 graus até a próxima quarta-feira. A novidade, no entanto, é a chuva. Até a semana que vem, todos os dias permanecem com 80% de probabilidade de chuva. É preciso ter atenção ao índice de raios ultravioleta, que devem ficar na casa de 12 a 13 pontos, considerado extremamente alto.

O recorde de temperatura em Bauru no ano de 2009 foi batido na última terça-feira, quando os termômetros do IPMet marcaram 35,5 graus. Para efeito de comparação, nos últimos nove anos, a maior temperatura registrada na cidade durante meses de novembro foi de 35,4 graus, em 2006. A segunda maior, 35,1 graus, foi em 2003.

Segundo Fernando de Almeida Tavares, meteorologista do IPMet, as temperaturas tendem a subir mais um pouco. Mas em dezembro, com a chegada do verão e das chuvas, não deve se elevar tanto.

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