A superlotação do Pronto-Socorro Central (PSC) continua deixando muitos bauruenses insatisfeitos e indignados. A demora no atendimento irritou tanto os pacientes que aguardavam na longa fila que se formou na tarde de ontem, que a Polícia Militar (PM) foi acionada para conter populares que tentaram invadir uma das salas de consulta.
A enfermeira Daniela Estevão teve que enfrentar cinco horas de espera para ser atendida no Pronto-Atendimento, que ao contrário do que o nome da unidade dá a entender, deixa pacientes na fila por horas. “Estou com febre, dor de cabeça, moleza no corpo, mas como eles dizem que meu caso é menos grave do que muitos que apareceram, me mandaram esperar”, conta.
Apesar de não estar bem, Daniela ajudou a conseguir atendimento para um paciente que desmaiou na parte externa do PSC. “Ele caiu no chão, estava muito mal. Eu acabei invadindo o corredor e gritei para um amigo enfermeiro que estava trabalhando. Ele saiu, viu a situação do homem e pediu para que outros funcionários ajudassem a levar o doente para dentro”, conta.
Ela também foi em busca de alguma mãe que pudesse amamentar uma criança recém-nascida de 12 dias. Desesperada, a avó do bebê não sabia o que fazer, já que a criança estava sem se alimentar desde 9h, quando a mãe, Elke Aparecida Maria, 29 anos, deu entrada no local com dores no peito. “Eles disseram apenas que minha filha teve início de infarto. Não deixaram eu entrar com a minha neta para ela amamentar e também não me falam nada do que vai ser feito. Tenho medo, pois minha filha está recém-operada e corre o risco de pegar uma infecção”, desabafa Maria Ivonete de Sá Mariane.
Quando o JC chegou ao local e conversou com uma das assistentes sociais do PSC, conseguiu liberação de um espaço para Elke amamentar a filha. Mas a solidariedade chegou antes da resolução do PSC, e após sete horas sem se alimentar, a pequena foi amamentada por uma mãe que aguardava atendimento médico para o filho.
Internação
Outra reclamação dos pacientes do PSC é relacionada à falta de médicos e à longa espera por uma vaga de internação nos hospitais. Na manhã de ontem, dois pacientes que estavam internados no Pronto-Socorro procuraram a reportagem do JC na tentativa de serem ajudados.
Internado desde a madrugada de segunda-feira, Thales Rodrigues dos Santos, 19 anos, não teve constatado o motivo da internação. “Eles dizem que eu estou com sintomas de hepatite. Mas, para confirmar, preciso de exames e eles dizem que só podem ser feitos no Hospital Estadual”, conta o jovem que está internado em um quarto com outras quatro pessoas. “Não sei se meu caso é simples ou grave, estou no aguardo de uma vaga no hospital. As enfermeiras passam por aqui, aplicam soro e mais nada. Médico é coisa rara de se ver por aqui”, acrescenta.
O caso de Darci Severino, 49 anos, que está internado no mesmo quarto de Thales, é mais grave. Ele deu entrada no PSC no sábado à tarde com um machucado no calcanhar. “Mas como tenho diabetes, o caso se torna mais complicado. Agora, a infecção que era no pé já subiu para o tornozelo e eu temo em ter que amputar o pé”, revela.
Severino vomita tudo o que ingere e, até ontem, não havia sido atendido por um médico vascular. “Eles dizem que temos que aguardar uma vaga no Hospital Estadual. Enquanto isso, nenhum médico veio avaliar a situação.”