Brasília - Depois da debandada da oposição na CPI da Petrobras no Senado, os senadores governistas anunciaram ontem que encerram os trabalhos da comissão com a apresentação, em dez dias, de relatório final apenas com sugestões propositivas.
Ao oficializar a saída da CPI, a oposição prometeu levar hoje relatório paralelo à Procuradoria-Geral da República com 18 pedidos de investigação na Petrobras e em subsidiárias.
O documento de 67 páginas preparado pelo PSDB lista reportagens, leis e tabelas para apontar supostas irregularidades em prestação de contas e contratações de empresas, superfaturamento de até US$ 2 bilhões na refinaria Abreu e Lima (PE) e até atividades da Petrobras que geram poluentes “que arriscam a vida humana”.
Os três senadores da oposição - Sérgio Guerra (PSDB-PE), Alvaro Dias (PSDB-PR) e ACM Junior (DEM-BA) - deixaram a CPI acusando a Petrobras de comandar uma operação abafa. “Temos certeza de que quem vai elaborar o relatório final é o escritório da Petrobras em Brasília. Todos os requerimentos eram submetidos a eles (a estatal) antes de serem apreciados pelo relator”, disse Alvaro Dias, autor do requerimento de criação da CPI.
O depoimento do presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, encerrou ontem as sessões da comissão. Gabrielli, que se recusou a comentar ataques da oposição, falou apenas a senadores governistas, a maioria do PT que nunca havia participado de uma reunião da CPI.
“A Petrobras foi transparente sobre a CPI, criou blog com quase 2 milhões de acesso nesse período para difundir e ter transparência, mandou informações solicitadas, participou de todos os processos”, disse Gabrielli, que admitiu ter intensificado a publicidade da Petrobras após o início da CPI.
O líder do governo e relator da CPI, Romero Jucá, rebateu as críticas da oposição, que reclama de terem sido vetados requerimentos essenciais. “Rejeitamos temas que não eram da CPI, talvez por isso a oposição não esteja aqui”, afirmou Jucá, que vai sugerir dois projetos de lei para permitir alterações contábeis em qualquer dia do ano e permitir que empresas de economia mista sigam regras mais flexíveis que as da Lei de Licitações.
O relator vai propor à Petrobras alteração no modelo de patrocínio. Gabrielli disse que vai incorporar as sugestões.