Temendo novo “apagão”, o interventor da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), Fábio Tadeu Teixeira, decidiu adiar para hoje o retorno de quatro dos cinco bebês (segundo informações oficiais) transferidos na madrugada de ontem da Maternidade Santa Isabel para o Hospital de Base (HB).
As crianças tiveram de ser levadas ao HB em decorrência da falta de energia que afetou Bauru e centenas de outras cidades, em 18 unidades da Federação e no Paraguai. O problema se estendeu por cinco horas, entre a noite de anteontem e a madrugada de ontem. Como a Maternidade não conta com gerador próprio, precisou recorrer ao auxílio de uma emissora de TV local, a TV TEM, para suprir sua demanda.
Cinco bebês que estavam na unidade de terapia intensiva (UTI) neonatal precisaram ser transferidos para o HB. Uma sexta criança, doente renal crônica, foi mantida na maternidade, uma vez que o abastecimento de energia já dava sinais de que seria normalizado, graças ao gerador emprestado.
Ontem pela manhã, o interventor e os médicos da maternidade ainda estavam em dúvidas quanto ao retorno das crianças. Teixeira chegou a entrar em contato com a CPFL Paulista, que afastou a possibilidade de novos apagões, dentro das próximas horas. Por outro lado, noticiários televisivos chegaram a divulgar que haveria o risco de voltar a faltar energia.
Por precaução, Teixeira preferiu adiar a volta das crianças. No momento em que ele tomou a decisão, um dos bebês transferidos acabava de dar entrada na maternidade. O interventor resolveu, então, que não haveria necessidade de submeter o recém-nascido a uma nova remoção.
As crianças foram transferidas de forma emergencial, com auxílio de uma viatura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Seus pais só foram informados do ocorrido quando elas já estavam no HB.
A falta de gerador é um problema antigo na maternidade. Teixeira afirma ter tratado do problema na última segunda-feira, em reunião com representantes da Secretária Estadual de Saúde para tratar do projeto de reforma da instituição, previsto para começar no semestre que vem.
“Nas conversas que tivemos, chegamos à conclusão de que era preciso adquirir esse gerador o mais rápido possível, antes mesmo de a reforma começar”, afirma Teixeira. A AHB ainda está cotando os preços do equipamento; não sabe quanto terá de investir nem qual modelo será comprado.
O apagão de ontem não casou transtornos apenas aos bebês que tiveram de ser transferidos. Os familiares das crianças que permaneceram na maternidade também viveram horas de preocupação, enquanto aguardavam que o abastecimento de energia fosse restabelecido.
Maria de Fátima da Silva, 48 anos, passou a madrugada na maternidade para acompanhar a nora Elizandra Maria Tripaldi, 18 anos. A jovem havia dado à luz no último domingo e seria liberada ontem pela manhã.
“Ficou tudo escuro lá dentro. Os pernilongos vieram de todos os lados. Por sorte, não picaram o ‘filhinho’ (o neto recém-nascido)”, afirma ela. Carlos Augusto Silva, 29 anos, que não estava na maternidade, viveu momentos de angústia, aguardando notícias da esposa e do filho.
“Aquela situação me deixou muito preocupado. Fiquei imaginando como estariam minha mulher e meu filho naquela escuridão”, garante. A reportagem entrou em contato com outros hospitais da cidade e constatou que os locais não chegaram a sofrer grandes contratempos, uma vez que contam com geradores de energia e baterias reservas para os equipamentos.
Isso não significa que essas instituições tenham ficado livres de transtornos. “O gerador atende principalmente às demandas da UTI e do centro cirúrgico. As demais áreas do hospital, como o pronto-socorro, por exemplo, ficaram às escuras”, afirma Raul Gonçalves de Paula, diretor do Hospital Beneficência Portuguesa. O Hospital Estadual e o Hospital da Unimed contam com geradores e baterias sobressalentes. As duas entidades afirmam não ter enfrentado problemas em decorrência do apagão.
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Bela Vista
A Unidade de Saúde (US) do Jardim Bela Vista também não conta com gerador de energia. Na madrugada de ontem, em decorrência do apagão, os pacientes tiveram de ser removidos do local para o Pronto Socorro-Central (PSC) - que possui fontes alternativas de abastecimento -, a fim de que não houvesse interrupção no tratamento.
A transferência foi feita por unidades do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Aliás, a falta de energia acabou afetando inclusive a central do 192, que ficou parada da 1h às 3h30. Os chamados tiveram de ser feitos por um telefone fixo, na base. Além disso, a Polícia Militar disponibilizou uma viatura para ficar de plantão no local.
O Samu realizou 18 atendimentos no período do apagão, todos sem gravidade. Ontem, a aplicação de vacinas foi suspensa nas unidades básicas de saúde de Bauru. A medida foi tomada para que a Secretaria Municipal de Saúde pudesse avaliar se a oscilação de temperatura causada pela falta de energia afetou a qualidade das doses armazenadas.