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Falso moralismo

Andreia Lima Hernandes Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Um acontecimento que chamou a atenção geral do Brasil, como também de alguns países do mundo, foi o fato de uma universidade expulsar uma aluna em pleno século XXI, após a mesma ter sido hostilizada por outros alunos da faculdade pelo motivo de estar usando um vestido um pouco ousado. Mas o curioso foi a atitude desses alunos, na questão do inconformismo com a roupa da garota. Será que foi realmente a falta do que se preocupar? Será que o microvestido da moça pode prejudicar a vida particular de algum deles.

Estamos vivendo dias de pura corrupção, onde nos deparamos constantemente com notiícias de funcionários fantasmas, de apadrinhamento de presidente de Senado, inumeras cadeiras 1º socorro compradas pelo valor de R$ 6 mil, a existências de instauração de processos que nunca sabemos realmente o que foi constatado, e sim o que foi decidido e, na maioria das vezes, sempre a beneficiar os réus, CPIs frustada com intuito de se encobrir a verdade. Um erro absurdo no valor das contas de energias elétrica causando um rombo nos bolsos dos consumidores, a violência reinando no Brasil, Estados vivendo um confronto de policiais e bandidos, e muitos inocentes morrendo, e não vemos nenhum tipo de movimentação de estudantes, talvez porque aqueles arruaceiros que participaram do fato naquele dia vivem alienados e não percebem o que está ocorrendo no Brasil e sim apenas com a roupa da colega da faculdade.

É inacreditavel que esses alunos se preocupem daquela forma, com coisa que não tem importância para eles. Com tantos motivos para movimentos estundantis na política brasileira, eles se mostram falsos moralistas, num País onde, Constitucionalmente, todos somos livres para fazer e deixar de fazer o que bem quisermos, desde que não seja contrário à lei. É muito comum voce ligar a TV e se deparar com cenas muito piores do que o vestido, em qualquer horário e nem por isso se rebelam contra isso.

Mas o pior de tudo nesse acontecimento foi o desfecho da faculdade com o seu posicionamento frente à situação, decidindo assim o Conselho Superior da Universidade na expulsão da aluna (depois recuando), dando a impressão de simplesmente preferir perder uma aluna do que aqueles que realmente iniciaram a movimentação. Após uma sindicância onde se ouviu apenas a opinião da faculdade, sem a ampla defesa da aluna, dando a impressão até de um tribunal de exceção, o que é vedado pela Constituição, o impacto que foi essa decisão perante o Brasil e outros Países, automaticamente obrigaram a faculdade voltar a trás, após vários protestos de mulheres contra o fato. O acontecimento tomou dimensão muito maior, e após a injusta decisão da expulsão ficou claro a incapacidade dos edu-cadores que representam essa universidade, talvez porque não tenham pessoas conhecedoras dos Direitos Fundamentais dos indivíduos nas normas constitucionais, ou por assumirem seus preconceitos para o mundo, sendo eles os maiores falsos moralista de todo esse movimento.

A verdade é: enquanto vivermos num mundo onde o ideal de justiça é apenas um ideal, continuaremos vivendo como hoje, onde a corrupção, injustiça, desigualdade e o preconceito reinam entre os povos.

A autora, Andreia Lima Hernandes Barbosa, é estudante de Direito do Iesb-Preve e colaboradora de Opinião

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