Turismo

Viagem através do tempo

Por Eliane Barbosa | Com Agência
| Tempo de leitura: 5 min

Saindo das badaladas Boa Viagem, Pina e Piedade, as três praias urbanas do Recife, atravesse suas charmosas pontes e descubra o Recife Antigo. De dia ou de noite, o passeio é lindo, incluindo, entre outros pontos, o Marco Zero, a Catedral de Deus (datada de 1709), a Torre Malakof (observatório meteorológico, de 1855) e do Porto de Recife.

Observe as casinhas coloridas, confira a arquitetura e o interior das igrejas centenárias (leia mais abaixo) e os espaços culturais. Curta todo o lado cultural do Recife Antigo e se renda à gastronomia pernambucana, uma das três melhores do Brasil. O Restaurante Leite, um dos mais tradicionais do Recife Antigo, que passa por reforma, é espetacular.

O bacalhau à moda e os sapotis (frutas típicas) são um arraso, assim como os barzinhos e danceterias da rua Bom Jesus – também conhecida como dos Judeus.

É bem ali na rua Bom Jesus que fica um dos marcos do judaísmo no Brasil: o templo Kahal Zur Israel (a primeira sinagoga do continente americano construída numa época de intolerância na Europa Ibérica). Para os judeus dos séculos 16 e 17, a migração para as terras pernambucanas do então governo de Maurício de Nassau simbolizava um tempo de paz, liberdade de culto e a chance de fazer dinheiro com os empreendedores holandeses.

Era na sinagoga que a comunidade – Recife chegou a ter mais de 50% de sua população judaica – realizava os rituais de purificação, no Mikvê, um poço abastecido com água corrente, onde aconteciam os banhos espirituais.

O templo foi totalmente restaurado e preserva diversos utensílios utilizados pelos judeus, como cachimbos, moedas e louças de barro. A memória histórica ainda pode ser contemplada na sinagoga com paredes e os pisos originais dos diversos desníveis dos assentamentos do Recife.

Ainda no Centro da cidade, outro percurso a ser feito pelo turista é a visita ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo pernambucano. O local foi sede também do governo de Maurício de Nassau e à época cogitou-se implantar lá uma sinagoga.

A praça, bem em frente ao Palácio, exibe um imenso baobá – árvore símbolo da África –, que encanta os visitantes que posam para fotos. Não deixe de provar os sorvetes de frutas típicas nordestinas vendidas por ambulantes. Refrescância total.

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Turismo pelos museus

Fazer passeios pelos principais museus do Recife é uma boa opção, inclusive para os turistas que visitam a cidade. Com os museus, o recifense e o visitante podem vivenciar e entender mais sobre a história e a cultura pernambucanas. Muitos encarnam a própria história, como os fortes, que passaram por revoluções e domínios.

A Prefeitura do Recife investe na requalificação desses equipamentos e em melhorias físicas de espaços como do Forte das Cinco Pontas, tendo em vista que a própria cidade do Recife já é um museu a céu aberto.

Os museus estão abertos durante toda a semana, com as mais diversas exposições fixas ou temporais, além de programações culturais. O preço das entradas é simbólico e acessível a todos.

Para começar, uma interessante opção são os fortes que existem no Recife. No bairro de São José, por exemplo, está o Museu da Cidade do Recife, que fica dentro do Forte das Cinco Pontas, construção holandesa de 1630.

No local, o visitante pode desfrutar de um extenso acervo de documentos iconográficos sobre o Recife, além de 150 mil imagens e peças religiosas e de antigas residências. O museu estará de portas fechadas para a reforma, voltando ao seu funcionamento no próximo ano. Com a revitalização, o turista poderá programar o seu roteiro para conhecer toda a cidade a partir do portal de turismo.

Já no Forte do Brum, no Bairro do Recife, há o Museu Militar. O forte foi construído no século 16 para segurança e proteção da povoação do Recife, além de ter sido cenário de inúmeros acontecimentos históricos. No Centro do Recife, especificamente no bairro de Santo Antônio, tem o Museu Franciscano de Arte Sacra, onde os visitantes mais religiosos podem observar valiosas peças do catolicismo no Recife e desfrutar da beleza da Capela Dourada, datada de 1696, um dos melhores exemplos do estilo barroco brasileiro.

No Museu Murilo La Greca, no Parnamirim, os amantes da arte contemporânea conhecerão o acervo de 1.400 desenhos de Murilo La Greca em técnicas diversas. No local, também são guardadas 160 pinturas e cartas trocadas pelo artista com Portinari e Giacometti.

Para saber as origens da obra “Casa grande & Senzala”, basta ir à Casa-museu Magdalena e Gilberto Freyre, datada do século 19, onde viveu o sociólogo Gilberto Freyre. Lá, também são encontrados obras literárias consagradas do autor e um acervo que vai desde exemplar dos “Lusíadas” a painéis de azulejos portugueses, dos séculos 16 e 17.

Além disso, um castelo em estilo medieval também pode ser encontrado, no Recife, no Instituto Ricardo Brennand. O colecionador pernambucano Ricardo Brennand guarda um acervo de obras de artes das mais diferentes procedências e épocas, que vão desde a Europa Medieval do século 15 ao Brasil do século 19.

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Igrejas merecem visitação atenta

O secretário de Turismo de Pernambuco, Silvio Costa Filho, entregou o projeto “Roteiro das Igrejas Recife e Olinda” ao arcebispo das duas cidades, Dom Fernando Saburido. No documento, o secretário propõe que 13 igrejas do Recife e nove de Olinda fiquem abertas diariamente, das 9h às 17h, para a visitação pública.

“Percebemos que muitos turistas, brasileiros e estrangeiros, não conseguem conhecer o interior das igrejas, ao contrário do que acontece em outros Estados e na Europa. Nossa intenção é poder mostrar a todos os que nos visitam, e também aos pernambucanos, este importante patrimônio histórico”, argumentou Costa Filho.

Para garantir a segurança do acervo das igrejas, o secretário irá solicitar à Secretaria de Defesa Social que policiais militares da Companhia Independente de Turismo (CiaTur) façam rondas periódicas em frente aos prédios. Além disto, Costa Filho estuda a possibilidade de instalar câmeras nas próprias igrejas, que complementariam o trabalho de fiscalização. “Diferente do que acontece em outros roteiros, o nosso será inteiramente gratuito”, antecipou o secretário.

Dom Fernando mostrou-se animado com a proposta e garantiu que a arquidiocese tem total interesse em apoiar a iniciativa. “Vou conversar com os párocos para que eles possam se preparar para receber este novo público. Será uma oportunidade para que as pessoas, além de visitar obras tão importantes, tenham um reencontro com a fé”, disse o religioso. A expectativa da Secretaria de Turismo é que o projeto já esteja funcionando agora, quando começa a alta estação.

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