Quem frequenta a biblioteca municipal sabe que ela é pequena e pouco ventilada. Dia desses fui devolver um livro (“Bahia de Todos os Santos”/Jorge Amado) e deparei-me com uma barraca de pipoca montada no meio da biblioteca. Parece piada, mas aconteceu! O cheiro estava por tudo. O pior é que a gordura impregna nos livros. As migalhas no chão atraem baratas (que adoram papel) e ratos.
A idéia de atrair mais leitores é louvável, mas comida e biblioteca definitivamente não combinam. Escrevo esta carta porque algumas pessoas insistem em achar que sou autora da carta do senhor Gustavo, que foi publicada outro dia. Não escrevi mas concordo com ele!
Não estou julgando e criticando ninguém. Me refiro a imbecilidade de estourar pipoca no meio dos livros... Ninguém precisa ficar ofendido com o comentário. Aliás, “só nos ofendemos quando o que dizem é verdade” (pe. Léo – SCJ).
Há maneiras mais refinadas de atrair público para a biblioteca. Um horário mais flexível é uma delas. Poderia abrir e fechar mais tarde, estender o atendimento até pelo menos as 20 horas. Pois a grande maioria trabalha no horário comercial, tem vontade de ler mas a biblioteca não atende essas pessoas. Outra idéia é promover algumas palestras (à noite) com pessoas interessantes e a partir dos temas indicar as leitura dos livros relacionados ao assunto.
O professor Antonio João Fraga Padilha poderia dar uma palestra sobre Monteiro Lobato que ele tanto admira e conhece bem a obra.
A irmã Beatriz Maria de São José do mosteiro de Bauru poderia falar um pouco sobre vida contemplativa e seus fundadores. Falar sobre os monges do deserto, sobre os patriarcas e doutores da Igreja.
O Marcelo Paro, famoso tatuador de nossa cidade, poderia falar sobre as remotas origens da tatuagem. Para as crianças, uma oficina de confecção de livros em EVA, e também marca páginas. Enfim, atividade interessantes, culturais, de custo zero (pois sei que a biblioteca não dispõe de recursos financeiros), que agradem todos os tipos de pessoas.
Em dezembro, uma exposição de presépios seria uma boa... O mais importante é um horário mais compatível com quem deseja ler. Todos veem muita televisão porque ainda é o entretenimento mais barato. Nada contra pipoca e sorvete contanto que sejam preparados e servidos longe dos livros. Pois, como já disse Castro Alves: “Bendito o que semeia livros, livros à mão cheia...”
Damaris do Padre Pio