Economia & Negócios

Proteção pode evitar novos blecautes


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Para o diretor regional do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo, Carlos Augusto Kirchner, somente a adoção de novas medidas de proteção contra raios pode aumentar a segurança da rede de energia brasileira contra futuros apagões. Embora acredite que o sistema elétrico do País não esteja mal dimensionado, risa que será necessário melhorar a forma de proteção interna das subestações. “O sistema nunca vai estar preparado para o desligamento de Itaipu inteira, mas é preciso tomar medidas de segurança”, frisa.

Com capacidade para produção de 14 mil megawatts por hora, a usina hidrelétrica binacional de Itaipu possui três linhas em corrente alternada e duas linhas em corrente contínua. Conforme lembra Kirchner, a unidade possui 25 anos de existência e esta foi a primeira vez em que ficou totalmente às escuras. “Itaipu é a maior usina do mundo e o que a gente espera é a queda de apenas um ou duas linhas quando ocorre uma tempestade, mas não de todas”, estranha.

Para ele, os motivos argumentados pelo Ministério de Minas e Energia para justificar o blecaute não foram bem esclarecidos. “Não consegui entender até agora porque disseram que o problema foi em Itaberá, por onde passam apenas as três linhas de corrente alternada. E o que aconteceu com as duas linhas de corrente contínua, que nada tem a ver com as outras três?”, questiona.

Segundo o diretor, a justificativa dada pelo ministro Edson Lobão – de que um curto-circuito teria sido provocado pela combinação entre raios, ventos e chuva – não explica nada. “Se fosse um desses três fenômenos, ele teria que dizer qual era. Nenhuma torre foi derrubada por vento. Mas, se caiu raio, pode ser uma explicação”, acredita.

Em 1999, o maior blecaute da história foi atribuído a um suposto raio que caiu em Bauru, mas depois de sete anos o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) desmentiu que a cidade foi atingida pela descarga atmosférica. “Entretanto, um laudo do IPMet (Instituto de Pesquisas Meteorológicas da Universidade Estadual Paulista) comprovou que caíram muitos raios entre São Manuel e Botucatu, a 80 quilômetros de Bauru”, completa.

O diretor explica ser possível que um raio tenha caído em uma linha de transmissão daquela região e, por uma falha no sistema de proteção contra descargas elétricas na subestação de Bauru, ter atingido a unidade. “Todas as subestações são protegidas com pára-raios que dispersam a descarga no solo e brecam os surtos de sobretensão. Cair raios em linhas de transmissão é algo que acontece muitas vezes sem causar prejuízo nenhum”, enfatiza.

Questionado sobre a possibilidade de sabotagem por parte de hackers, Kirchner prefere não polemizar, mas afirma que o assunto vem sendo debatido por especialistas já há algum tempo. Em entrevista recente à BBC Brasil, o especialista americano em segurança de sistemas de computadores, James Lewis, chegou a afirmar que, até o momento atual, nenhum país tem capacidade de se defender contra um cyberataque em suas redes de energia, inclusive Brasil e Estados Unidos.

Kirchner destaca que, como o sistema elétrico brasileiro é todo interligado – excluindo alguns Estados da região Norte -, o risco de provocar o chamado “efeito dominó” em caso de interrupção de energia, como o que ocorreu nesta semana, é maior. “No entanto, ainda é um sistema mais vantajoso para um País grande como o nosso, onde há simultaneamente regiões de secas e de inundações. O sistema interligado é importante para que uma região possa suprir a falta de produção de energia de outra que está com baixa quantidade de água”, conclui.

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