Rio - As vendas do varejo brasileiro cresceram pelo quinto mês consecutivo em setembro, com alta de 0,3% sobre agosto. Com isso, o volume comercializado no terceiro trimestre foi 5,3% superior ao do mesmo período de 2008. No ano, a expansão acumulada chega a 4,7%.
Desta vez, ao contrário do que vinha ocorrendo nos últimos meses, as vendas de alimentos e artigos farmacêuticos sofreram uma pequena redução, e foram os bens de consumo duráveis que responderam pela maior expansão.
Para o chefe do departamento de economia da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, o desempenho está relacionado à política de desoneração do governo, que reduziu o IPI dos eletrodomésticos da linha branca, e à valorização do real, que barateou equipamentos de informática e de comunicação, como celulares. Em relação a agosto, as vendas desses segmentos cresceram 1,8% e 8,8%, respectivamente.
“Não creio que isso seja efeito do crédito, porque em setembro a expansão não foi muito significativa para pessoa física. É questão de preço mesmo”, diz Freitas.
Desde o estouro da crise internacional, no entanto, são as vendas de hiper e supermercados, que incluem alimentos, bebidas e fumo, que vêm funcionando como motor do varejo.
Apesar de terem diminuído 0,5% em relação a agosto de 2009, elas continuaram em setembro em patamares bem superiores aos de 2008 - a alta chega a 9,7% ante o mesmo mês. Pela magnitude dessa expansão e pelo peso que tem na economia, o segmento responde por 90,4% do crescimento de 5% do varejo no período. “Com a massa salarial crescente e a inflação baixa, principalmente de alimentos, as pessoas estão consumindo mais”, diz Luiz Goes, diretor da consultoria GS&MD (Gouvêa de Souza).
Outro destaque de setembro foi o desempenho do setor de veículos, que viu suas vendas aumentarem 9,1% em relação a agosto de 2009 e 18,9% em relação a setembro de 2008.
“Como era o último mês de IPI reduzido, pode ter havido uma antecipação das compras”, diz Reinaldo Silva Pereira, da coordenação de serviços e comércio do IBGE.